Ataque cibernético deixa Unitel sem rede na véspera da estreia em bolsa
A um dia da entrada na BODIVA, opera está sem voz, dados móveis e Internet em todo o País. Falha está a afectar empresas e particulares em todo o País. Terminais de pagamento, sistemas de facturação e comunicações estão condicionados, enquanto a Africell aproveita a indisponibilidade da concorrente para captar novos clientes.
A Unitel, maior operadora de telecomunicações do País, sofreu, na madrugada desta terça-feira, um ataque cibernético que paralisou os serviços de voz, dados móveis e Internet em todo o País. O incidente ocorre na véspera da estreia da empresa na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA), afectando cerca de 20,8 milhões de clientes e provocando fortes constrangimentos à actividade económica.
A informação foi confirmada esta manhã pelo presidente do Conselho de Administração (PCA) da Unitel, Aguinaldo Jaime, precisamente, durante o evento sobre apresentação das contas do Sector Empresarial Público, promovido pelo Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE).
Os efeitos da falha estendem-se tanto aos clientes particulares como às empresas. Diversas empresas contactadas pelo Expansão relataram dificuldades em manter as suas operações, uma vez que dependem dos serviços de voz e Internet da operadora. A indisponibilidade dos sistemas está a comprometer a facturação, o contacto com clientes e fornecedores e a realização de operações comerciais.
Entre os serviços mais afectados encontram-se também os terminais automáticos de pagamento (TPA) que utilizam a rede da Unitel, impedindo vários estabelecimentos comerciais de processar pagamentos electrónicos e obrigando muitos clientes a recorrer ao numerário ou a adiar compras.
Do lado dos particulares, os constrangimentos vão desde a impossibilidade de efectuar e receber chamadas até ao acesso à Internet móvel e fixa. Também serviços digitais dependentes da ligação à Internet, como aplicativos de transporte, plataformas de entrega e pagamentos electrónicos, registam dificuldades de funcionamento.
Em comunicado, a Unitel informou que o ataque cibernético à sua infraestrutura tecnológica foi detectado por volta das 02h20 desta terça-feira (hora de Angola) e teve impacto nos serviços de voz, dados móveis e acesso à Internet em todo o território nacional.
A operadora acrescenta que activou de imediato os mecanismos de resposta e contenção previstos para este tipo de incidentes e que as equipas técnicas e de cibersegurança "continuam a trabalhar para mitigar os efeitos do incidente e assegurar a reposição integral dos serviços", que permanecem condicionados.
A interrupção dos serviços surge dias depois de a operadora já ter registado uma falha generalizada na rede, levantando novas questões sobre a resiliência da infraestrutura tecnológica da empresa.
Entretanto, a Africell está a aproveitar a indisponibilidade da principal concorrente para reforçar a captação de clientes, intensificando campanhas comerciais, já que há mais procura. A paragem da Unitel poderá permitir à operadora ganhar quota de mercado, sobretudo entre clientes empresariais que dependem de comunicações permanentes.









