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"Fazer a simbiose entre a arte e o turismo é o que atrai investidores e turistas"

ZOCA ZOCA | CANTOR E DIRECTOR DA CULTURA E TURISMO DA SAMBA

Jairo Bravo, conhecido por Zoca Zoca é cantor. Actualmente, exerce o cargo de Director da Cultura e Turismo da Samba, posição que o faz entender que os desafios que Angola enfrenta na promoção da cultura e turismo ainda são inúmeros, mas que o País deve apostar fortemente na produção local para que o sector contribua de forma significativa para o desenvolvimento da economia nacional.

Começou a sua carreira como animador e bailarino de um grupo de dança, anos depois começou a cantar. Que balanço faz do seu percurso artístico?

Faço um balanço positivo, repleto de altos e baixos. Mas consegui alcançar os meus objectivos, embora eu prefira acreditar que o que tenho é sempre pouco de modo a lutar por algo mais.

E se fizer uma retrospectiva, perspectivou estar onde chegou hoje?

Sim! Porque trilhei caminhos bem traçados. Não esperava que fosse tão fácil de chegar aqui. Mas acredito que, com educação, humildade, sobretudo, estar rodeado de pessoas certas, a "luta" às vezes torna-se ainda mais fácil.

Essas pessoas, de alguma forma, tem-nas como fontes de inspiração?

Se sim, poderia mencionar quem são? O meu pai por ser rígido na nossa educação, a minha mãe por me proteger e acreditar sempre em mim, e a toda a minha família. No percurso da vida, conheci pessoas que me incentivaram a chegar até aqui e, nós temos que aprender que, às vezes, os amigos tornam-se família. O Clénio e o Clésio Gomes, conhecidos como gémeos da CLÉ, sempre foram pessoas que após nos tornarmos amigos, tornámo-nos família. Eles sempre tiveram uma veia política e empresarial, desde já, realço a alma do pai deles, o senhor Duarte Gomes, uma pessoa que sempre nos orientou. Incentivaram-me a não só pensar e viver da música, mas a olhar para a política e para o mundo empresarial, ou seja, a ter outras fontes de rendimento e a olhar para elas de forma séria.

Foram também responsáveis por chegar à administração pública ou ser indicado ao cargo de Director da Cultura e Turismo da Samba?

Eles foram pessoas que me ajudaram e souberam orientar-me, pois o que vivo profissionalmente fora da música, como trabalhar na administração pública, é fruto do apoio deles.

Quais os principais desafios que os artistas enfrentam no mercado nacional?

Os artistas precisam de ter um olhar correcto do nosso mercado, porque ele é desafiador, é um mercado descartável. Atingir o topo nos últimos tempos começou a ser muito difícil. Os problemas de base que assolam as famílias em Angola, também assolam qualquer artista que vai dar os primeiros passos no mundo da música. Mas temos artistas que já conseguem viver da sua arte. Sim! É de reconhecer que quando se está no auge da carreira ou quando se alcança um espaço no mercado, os artistas já são bem remunerados e conseguem viver da sua profissão.

Na sua opinião, a falta de disciplina, comprometimento por parte de alguns artistas é uma barreira para alcançar o topo?

Para se tornar um excelente profissional em qualquer trabalho, penso que a humildade e o respeito são a base. Quando não temos isto é difícil alcançar o topo. Entretanto, a falta de comprometimento, seriedade e de respeito por parte de alguns artistas, tem realmente sido uma grande barreira. Mas fora o comportamento dos artistas, nós precisamos de formar agentes que entendam como o showbiz realmente funciona para poderem agenciar grandes artistas, porque muitas vezes, a falta de formação, conhecimento, investigação, saber como o mundo da música está hoje, saber como é feito o agenciamento, a gestão de carreira e não só, faz com que ainda se cometam grandes erros que acabam por afectar a vida ou a carreira do...

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