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Economia

Preços caem 1,4% no mercado informal e 0,3% no formal

NO I TRIMESTRE DE 2026

Esta queda de preços, provocada pela sazonalidade, sobretudo no informal, não é percepcionada pela maior parte da população, que continua a enfrentar grandes dificuldades no dia-a-dia para alimentar as suas famílias. Para diminuir os esforços, muitas continuam a recorrer às "sócias".

Os preços dos principais produtos consumidos pelas famílias angolanas registaram uma queda de 1,4% nos mercados informais e de 0,3% nos supermercados, de acordo com a comparação de preços de dois cabazes seleccionados pelo Expansão.

Entre Janeiro e Março, o cabaz de 23 produtos do cabaz do mercado informal, seleccionados pelo Expansão, encolheram de 125.596 Kz para 123.802 Kz, o que configura uma queda de 1,4%, equivalente a menos 1.794 Kz em apenas três meses. Esta queda verificada nos produtos cujos preços foram recolhidos nos mercados do Catinton e Asa Branca na última semana de cada mês, que permite apurar um preço médio a cada um deles, deve-se essencialmente à redução dos preços da caixa de coxa de frango (-1.600 Kz) entre Janeiro e Março e também da unidade de carne seca (-1.000 Kz) e do cartão de 30 ovos (-900 Kz).

Em sentido contrário, as principais subidas foram verificadas no preço das cenouras, cujo preço médio por quilo subiu 667 Kz e do tomate (+833 Kz). São os efeitos da sazonalidade na lei de mercado a definir os preços (menos oferta e mais procura aumenta preços e vice-versa).

Foi possível constatar que no mercado do Catinton os preços reduziram mais em relação ao Asa Branca. Por exemplo, uma caixa de massa esparguete de marca Ginga que custava 5.900 Kz em Janeiro, nos armazéns do Asa Branca, agora custa 5.800 Kz, enquanto nos armazéns do Catinton a mesma caixa que custava 6.500 Kz, agora custa 5.500 Kz. São vários os exemplos que demonstram preços mais baixos no Catinton. Já do lado do sector formal, a redução dos preços do cabaz se leccionado pelo Expansão, de 23 produtos, é de apenas 0,3%, com o cabaz a custar menos 205 Kz face ao início do ano.

A queda é influenciada pela diminuição do preço do peixe carapau, cujo quilo passou de 6.199 Kz para 4.299 Kz, menos 1.900 Kz. Caso não fosse incluído o carapau neste cabaz, os preços teriam subido em média 2,4%. A recolha de preços no mercado formal é feita nos supermercados Maxi, Kero e Candango.

Nos supermercados verificaram-se algumas reduções de preços em produtos cuja data de validade estão próximas do fim, o que pode influenciar os resultados finais.

Preços empurram famílias para o informal

Esta queda de preços, sobretudo no informal, não é percepcionada pela maior parte da população, que continua a enfrentar grandes dificuldades no dia-a--dia para alimentar as suas famílias.

Para diminuir os esforços, muitas continuam a recorrer às "sócias", onde duas ou mais pessoas se juntam para comprar um determinado produto e posteriormente reparti-lo.

É o caso de Isabel Monteiro, residente na província do Bengo, cujo agregado familiar é composto por seis membros. Todos os meses precisa de ter, em média, 170.000 Kz para alimentar a família, valor que muitas vezes é insuficiente para suprir todas as necessidades ao longo do mês. Esta mãe diz que prefere faz a maior parte das suas compras na província de Luanda, onde trabalha, pois consegue comprar produtos de primeira necessidade a preços mais acessíveis.

"Vivo no Kapari e prefiro fazer as minhas compras no mercado do Asa Branca porque cá, os pre ços são mais baixos", indica. "Para que as minhas compras durem o mês todo, tenho de comprar frescos a grosso e gasto em média 110.000 kz. Antes, com esse valor, conseguia comprar o essencial, mas actualmente o valor serve simplesmente para os frescos", lamenta.

Diz que a prática da "sócia" ajuda na redução de custos, mas não é suficiente para o mês. Uma caixa de peixe carapau de 50 kg tem em média 25 a 30 peixes, e se for repartida por duas pessoas, significa que cada uma paga 25 mil Kz e leva para casa 12 a 15 peixes. Pouco para a sua família de seis pessoas...

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