'Ultimato' de Trump ao Irão trava ouro e mantém mercados em alerta
O ouro segue em baixa esta terça-feira, numa sessão marcada pela expectativa em torno do fim do prazo estabelecido pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que o Irão reabra o estreito de Ormuz.
O chefe de Estado norte-americano voltou a endurecer o tom, ameaçando destruir o país e a sua infraestrutura energética "numa só noite" caso o regime liderado por Mojtaba Khamenei não restabeleça a livre circulação de navios nesta rota estratégica para o comércio global de energia.
Neste contexto, o metal precioso recua ligeiros 0,09%, negociando nos 4.646,87 USD por onça, depois de ter acumulado perdas superiores a 2% nas duas sessões anteriores.
Apesar do aumento das tensões geopolíticas, que tradicionalmente sustentam a procura por ativos de refúgio, o ouro tem sido pressionado pelas perspectivas de um conflito mais prolongado. A escalada dos preços do petróleo está a alimentar receios de uma nova crise energética global, com impacto direto na inflação e nas decisões de política monetária.
"A ausência de uma resolução para o conflito no Médio Oriente tem mantido os mercados em alerta", afirma Manav Modi, analista de matérias-primas da Motilal Oswal Financial Services, em declarações à Bloomberg. "O ouro continua sob pressão devido à combinação entre expectativas inflacionistas mais elevadas, a perspetiva de políticas monetárias mais restritivas e a valorização do dólar, apesar da persistente incerteza geopolítica", acrescenta.
Desde o início do conflito, o metal amarelo já acumula uma queda de cerca de 12%, perdendo terreno enquanto principal ativo de refúgio para o dólar, num contexto de maior aversão ao risco.
Em sentido inverso, o petróleo tem registado ganhos nas últimas sessões, impulsionado pelo impacto da crise energética nos preços dos combustíveis e nas expectativas de inflação.
Ainda assim, vários analistas admitem que, a médio prazo, o agravamento da crise energética e os seus efeitos sobre a economia global poderão acabar por beneficiar o ouro, devolvendo-lhe parte do seu apelo como ativo de proteção.











