Angolana BestFly começou a operar em Cabo Verde
Às primeiras horas da manhã desta segunda-feira a companhia angolana BestFly estreou-se nos voos domésticos em Cabo Verde, concretamente, entre a Praia, na ilha de Santiago, e a ilha de São Vicente, no âmbito de uma concessão de emergência, por seis meses, anunciada pelo Governo cabo-verdiano na última sexta-feira, após não ter chegado a acordo com a espanhola Binter, que detinha a Transportes Interilhas de Cabo Verde (TICV), sobre o modelo de apoio a conceder, para sobreviver à quebra de 70% dos passageiros, por causa da pandemia da Covid-19.
A BestFly fica assim de hoje em diante com a concessão do serviço público de transporte aéreo interilhas em Cabo Verde, devendo realizar seis voos hoje, de um total de 30 ao longo desta primeira semana de concessão no arquipélago.
A BestFly, empresa "de matriz angolana, com presença internacional", no Dubai, República do Congo e Portugal, está criada em Cabo Verde desde 2015 e aguarda neste momento a certificação como operador aéreo naquele país. Em tempos, o director-executivo da companhia, Nuno Pereira, tinha afirmado à Lusa, que o objectivo seria desenvolver um projecto em Cabo Verde que iria além da concessão de emergência, assumindo total compromisso com o país, sendo "nossa intenção o estabelecimento permanente da nossa operação em Cabo Verde", afirmou.
A TICV era até hoje o único operador aéreo interilhas no país, que há várias semanas deixou de vender bilhetes para viagens internas. O Governo cabo-verdiano já tinha admitido que a pandemia da Covid-19 "teve um efeito devastador no sector da aviação civil" e a TICV "não foi excepção", com uma redução de passageiros transportados, "impactando negativamente nas suas vendas e nos resultados obtidos, situação que continua a prevalecer no presente ano 2021", justifica o Governo.
Perante a situação, o Governo solicitou uma proposta à BestFly Angola que acabou por resultar na assinatura de um "contrato de concessão de exploração de serviço de interesse público de transporte aéreo regular interno de passageiros, carga e correio", no âmbito do previsto no Código Aeronáutico de Cabo Verde.
A partir desta segunda-feira a BestFly informa que estão previstos alguns ajustamentos na programação dos voos, sendo que o objectivo será manter preços competitivos, segundo o director-executivo do grupo angolano, que anunciou já o recrutamento de trabalhadores locais.
Recorde-se que a anterior operadora de voos domésticos, a TICV tinha dado a conhecer ao Governo, em 2020 a sua real situação financeira, resultante do impacto da redução de 70% de passageiros. De acordo com a Lusa, com base no comunicado do Governo, "no decorrer das conversações sobre o modelo de apoio que poderia ser negociado, os accionistas manifestaram, igualmente, o desinteresse pelo negócio em Cabo Verde e a consequente vontade de parar as operações e liquidação da empresa".
A concessão arrancou com um ATR72-600, estando prevista a aquisição de um outro aparelho dentro de um mês.










