Fundação Tony Elumelu reforça aposta em África com 16 milhões USD para 3.200 empreendedores
A Fundação Tony Elumelu (TEF) anunciou a atribuição de 16 milhões USD a 3.200 empreendedores provenientes dos 54 países africanos, no âmbito da edição 2026 do seu programa emblemático de apoio ao empreendedorismo, uma das maiores distribuições anuais de capital no continente.
O anúncio, feito esta semana, por Tony Elumelu, reforça não apenas a crescente procura por financiamento e capacitação empresarial em África, mas também a consolidação do conceito de "Africapitalismo", a doutrina que defende o papel central do sector privado africano na transformação económica do continente, segundo a instituição.
Assim, cada um dos empreendedores selecionados receberá uma subvenção inicial não reembolsável de 5.000 USD, totalizando cerca de 16 milhões USD em financiamento directo. Para além do capital, o programa oferece formação empresarial estruturada, mentoria especializada e acesso a uma rede pan-africana de fundadores e investidores.
Desde a sua criação, em 2010, a TEF tem apostado no desenvolvimento do capital humano africano, partindo do princípio de que o principal recurso do continente reside nas suas pessoas. A edição de 2026 registou mais de 265 mil candidaturas, refletindo o crescimento do empreendedorismo como alternativa num contexto de limitações no emprego formal.
Em Angola, mantém-se uma participação consistente de jovens empreendedores, com destaque para sectores como energia, tecnologia, agricultura, agro-negócio e inteligência artificial, áreas consideradas estratégicas para a diversificação económica.
Numa mensagem publicada na rede social X, Elumelu enquadrou o programa como uma intervenção estruturada no futuro económico africano, afastando-o de uma lógica meramente filantrópica. "A oportunidade pode ser democratizada", afirmou, sublinhando a importância de criar condições previsíveis para o desenvolvimento de negócios sustentáveis.
O modelo da TEF combina financiamento com desenvolvimento de competências e acesso a ecossistemas empresariais, procurando responder a um dos principais desafios do continente: a fragmentação dos sistemas de apoio ao empreendedorismo.
"A iniciativa é amplamente considerada uma das expressões mais concretas do Africapitalismo em acção, posicionando o empreendedorismo como motor de crescimento inclusivo, geração de emprego e resiliência económica", aponta.
A expansão do programa a todos os países africanos está alinhada com dinâmicas continentais mais amplas, como a Área de Livre Comércio Continental Africana (AfCFTA), que visa criar um mercado único de cerca de 1,4 mil milhões de pessoas, com um Produto Interno Bruto combinado superior a 3,4 biliões USD.
Ao reforçar o investimento no empreendedorismo jovem, a TEF consolida o seu papel como um dos principais catalisadores do desenvolvimento económico africano, apostando numa abordagem de longo prazo centrada na inovação, inclusão e sustentabilidade.
Desde o lançamento do seu programa, a Fundação Tony Elumelu já mobilizou mais de 100 milhões USD em financiamento directo, apoiando mais de 24.000 empreendedores em todo o continente.
De acordo com dados da fundação, mais de 4 milhões de famílias foram beneficiadas, enquanto cerca de 2,1 milhões de africanos saíram da linha da pobreza graças às atividades geradas pelos negócios apoiados.
Em termos económicos, os empreendimentos financiados já produziram receitas superiores a 4,2 mil milhões USD, refletindo a capacidade de escala e sustentabilidade das iniciativas. O programa contribuiu ainda para a criação de aproximadamente 1,5 milhão de postos de trabalho, reforçando o seu papel como catalisador do emprego jovem no continente.
Paralelamente, mais de 2,5 milhões de africanos tiveram acesso a formação empresarial, consolidando uma abordagem que vai além do financiamento e aposta no desenvolvimento de competências como base para o crescimento de longo prazo.











