Receita dos bancos africanos ultrapassa 100 mil milhões USD
"Com a redução das taxas de juro, prevê-se que o mercado de empréstimos se expanda significativamente para quase 52 mil milhões USD até 2030. Embora o crédito às PME continue a ser um segmento mais pequeno, também se espera um crescimento rápido", refere relatório da McKinsey, que analisa o período de 2020 a 2025.
O sector bancário africano ultra passou, em 2025, pela primeira vez, a fasquia dos 100 mil milhões USD em receitas, com uma rentabilidade muito acima da média global, durante um período de cinco anos de condições favoráveis, impulsionadas por taxas de juro elevadas, reprecificação de empréstimos e ganhos com operações cambiais e de trading, revela um relatório da consultora McKinsey, divulgado no final de Março.
Apesar do crescimento da re ceita bancária, verifica-se uma concentração muito grande. Cinco países representam cerca de 70% da receita total, estimada em 107 mil milhões USD, em 2025: África do Sul, responsável por mais de um quarto (com 26,4 mil milhões USD), Egipto, Nigéria, Marrocos e Quénia. A próxima onda de crescimento do sector bancário africano exigirá "empréstimos mais inteligentes e rápidos", que devem expandir para os mercados de retalho e PMEs, "pouco servi dos", com o recurso a "ferra mentas inovadoras", defende a consultora norte-americana.
Embora o potencial de escala a longo prazo "seja grande", a McKinsey alerta que "desafios persistentes, como lacunas de acesso, infraestruturas e confiança, juntamente com ventos contrários macroeconómicos, continuam a limitar o pleno potencial" do sector.
Lucro recorde na banca
De acordo com o relatório "Prática de Serviços Financeiros: Do potencial ao desempenho um panorama do sector bancário africano", a análise dos dados consolidados entre 2020 e 2024 revela um crescimento de 26,7% nas receitas do sector financeiro global (que inclui bancos, instituições de microfinanças e dinheiro móvel) antes do custo de risco.
As receitas passaram de 4,5 biliões USD em 2020 para 5,7 biliões USD em 2024, contribuindo para impulsionar o lucro líquido do sector para 1,2 biliões USD, o valor mais elevado já registado para qualquer sector. Neste contexto de força global, o sector financeiro africano destacou-se, com um "aumento significativo" da sua presença na economia, sublinha a McKinsey.
A sua participação no PIB cresceu 0,4 pontos percentuais entre 2020 e 2024, enquanto as receitas em moeda constante cresceram a uma taxa de aproximadamente 17%, em comparação com a média global de 7%, ao passar de uma receita de 81 mil milhões USD em 2020 para 99 mil milhões USD em 2024. "No entanto, este desempenho foi mascarado pela volatilidade cambial", pelo que, quando medi do em dólares americanos, o crescimento baixa para 5,2%, esclare ce o relatório, que se baseia em da dos reportados até ao final de 2024, dados estimados para 2025 e projecções até 2030. Utiliza também os dados do Panorama Global Banking Pools da McKinsey.
Trajectória de rentabilidade
Olhando para o futuro, o sector será "moldado por uma combinação complexa de forças e tendências". Por um lado, "os operadores podem esperar ventos favoráveis de uma população jovem em crescimento, em rápida urbanização e com conhecimento digital, o que está a expandir...











