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Angola

João Lourenço decreta um dia de luto nacional em homenagem às vítimas dos conflitos

Sexta-feira, 22 de Maio

Numa mensagem dirigida à Nação, divulgada esta quarta-feira, o Chefe de Estado justificou a decisão com o impacto humano e simbólico da cerimónia prevista para assinalar a entrega de restos mortais às famílias das vítimas.

O Presidente da República, João Lourenço, decretou luto nacional para sexta-feira, 22 de Maio, em homenagem às vítimas dos conflitos políticos que marcaram Angola entre Novembro de 1975 e Abril de 2002, segundo um decreto presidencial divulgado esta quarta-feira. A decisão surge poucos dias antes de se assinalarem os 49 anos dos acontecimentos de 27 de Maio de 1977.

Numa mensagem dirigida à Nação, divulgada esta quarta-feira, o Chefe de Estado justificou a decisão com o impacto humano e simbólico da cerimónia prevista para assinalar a entrega de restos mortais às famílias das vítimas.

"Pelo elevado número de vítimas e pelo impacto que esta cerimónia terá na nossa sociedade, decidi decretar Luto Nacional de um dia em todo o território nacional", afirmou.

João Lourenço defendeu ainda que a consolidação da paz e da reconciliação nacional exige "transparência" e o reconhecimento colectivo dos episódios mais dolorosos da história do País.

"Angola viveu momentos dramáticos da sua história que deixaram feridas profundas, mas que temos sabido tratar no quadro da Paz e da Reconciliação Nacional, consolidada ao longo dos últimos 24 anos", sublinhou, considerando o processo motivo de "orgulho e regozijo" para os angolanos.

No âmbito desse esforço, o Presidente recordou a criação da Comissão Interministerial para as Vítimas dos Conflitos Políticos, responsável pela localização, identificação e entrega de restos mortais às respectivas famílias.

Segundo o Chefe de Estado, a comissão já procedeu, em cerimónias públicas, à entrega de várias ossadas de cidadãos mortos durante os conflitos, permitindo a realização de funerais condignos. Desta vez, acrescentou, serão entregues "centenas de restos mortais" aos familiares.

João Lourenço apelou ainda à preservação da memória colectiva, defendendo que os acontecimentos do passado devem servir de reflexão para evitar novos conflitos no País.

"Sem esconder ou apagar a verdade dolorosa dos factos, tudo deve ser feito para que nunca mais aconteça qualquer conflito étnico, religioso ou político em solo angolano", afirmou.

Na mesma mensagem, o Presidente reiterou que o perdão, a reconciliação e a unidade nacional constituem pilares fundamentais para o desenvolvimento do País.

"Perdoar e abraçar é o caminho certo para nos erguermos como uma Nação reconciliada, dedicada ao desenvolvimento económico e social, à prosperidade e ao bem-estar dos angolanos", declarou.

Dirigindo-se às famílias afectadas pelos conflitos, o estadista deixou palavras de solidariedade e conforto, classificando o momento como de "grande consternação e profunda reflexão".

"O passado não pode ser apagado, mas deve servir de lição para prevenir os erros e crimes cometidos e construir uma pátria de justiça, paz e desenvolvimento", concluiu.

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