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"Eu não escolhi a percussão, foi a percussão que me escolheu

CASSILVA| PERCUSSIONISTA

Odete Cassilva, também conhecida como Nassoma Nkaji Cassinda Mussamba, assume-se como uma mulher africana e actua transversalmente no mundo da cultura, defendendo os seus ideais com as batidas firmes e ritmadas num batuque. Num ambiente administrativo, mas com o rufar dos tambores, a funcionária pública confunde-se com a artista percussionista.

É coordenadora de eventos institucionais do Palácio de Ferro e também percussionista. O que faz uma e outra? Como coordenadora, trato do agendamento das exposições, concertos e, neste âmbito, sendo o Palácio do Ferro um património, recebemos várias visitas. Então, há também uma componente do turismo nas minhas actividades. Sou produtora de eventos, e nas artes, como percussionista e pesquisadora em música ancestral e cultura angolana. O meu trabalho nas indústrias culturais e criativas, querendo ou não, envolve a administração, arte, cultura e turismo. Como está a instituição em termos de actividades? Há muitas solicitações. Janeiro e Fevereiro são os meses que as pessoas estão a correr e querem realizar os seus sonhos e projectos. E muitas dessas solicitações vêm para aqui. Estamos, provavelmente, com uma média de seis a sete solicitações por semana e, como gostamos de dar sempre um input aos criadores, procuramos, de alguma forma, não rejeitar o evento, mas sim adaptá-lo à disponibilidade da nossa agenda. Com que antecedência se deve fazer um agendamento? Com seis meses de antecedência, no mínimo. E por uma questão preventiva, fazer com um ano de antecedência, isso no mês de Outubro do ano anterior, por ser o mês em que nós estamos a elaborar o plano anual. Agora, em Fevereiro, quem pretender marcar um evento este ano, para quando estaria disponível o espaço? Poderíamos fazer, se calhar, entre Setembro a Novembro, porque até Agosto já está fechado. Mas mesmo para esses meses, provavelmente, seria num domingo, terça-feira ou numa quarta-feira, pois temos quase todos os finais de semana, nomeadamente quinta, sexta e sábado, fechados. Então já seria tarde ou depende do tipo de evento? Há sempre alguma ginástica. Há eventos que são de noite e nós ainda conseguimos colocar um de manhã, que, por exemplo, se vai passar na sala em Nhankatolo, que é a sala da parte de cima do Palácio de Ferro, ou a sala que temos por trás do palco, que é a nossa sala Mandume. Fazemos essa ginástica de acordo com a disponibilidade do espaço. Por isso é que, por exemplo, se vem para cá com um projecto para fazer um festival em Março, pode já não ter espaço. Como concilia a administração pública e a arte? Bem, nunca foi difícil, porque as escolhas que eu fiz não foram feitas por indução ou por impulsos, mas foram espelhadas na mulher em que me quis tornar desde criança. Obviamente há algumas consequências, como dormir às 3h00 por estar a ensaiar, mas estar aqui às 8h00 para administrar os eventos do Palácio. São escolhas que eu já fiz há muito tempo, inspiradas nalgumas pessoas que via e criei um perfil para mim.

E em que se tornou actualmente? Tornei-me numa mulher que agrega valor, embora continue pequena fisicamente (risos), mas em crescimento e a estudar. E isso é o que eu farei até o meu último suspiro, porque decidi admitir que sou um bocado viciada em estudos. E o que está a estudar? Actualmente, estou a estudar percussão ancestral e sonoridades que influenciam nas sensações que as pessoas têm ao ouvir determinados acordes, ou seja, estou a fazer um estudo entre música ancestral e a música contemporânea. Qual é a finalidade após a conclusão destes estudos? Estes estudos já são do meu interesse há algum tempo, o que me vai permitir executar o instrumento com propriedade, bem como defendê-lo. Saberei responder às questões que estão inerentes. A percussão é a base/guia instrumental numa banda ou não? No contexto de banda é tida mais como base e não exactamente como guia. Quando se diz guia, são os harmónicos que fazem as mudanças pontuais, a estrofe, o coro etc. O percussionista mantém a base rítmica, do princípio ao fim, dando suporte a todos, não exactamente a liderar. A liderar, temoso vocalista, que pode ser substi-tuído pelo director musical, o guitarrista, o pianista, etc... Mas é usual apresentarem os elementos de uma banda como "o baterista" e "o percussionista"... É verdade, mas, profissional e cientificamente, ambos são percussionistas. Os componentes da bateria são provenientes da percussão geral. Há a ideia de percussão ser apenas os batuques. Explique- -nos o que é, a nível musical? A nível musical, percussão é a família de instrumentos produtores de sons quando são batidos (com as mãos ou baquetas), sacudidos ou raspadas. Percutir é bater sobre algo, desde instrumentos até no nosso corpo, ao que se denomina de percussão corporal... Como se classificam os instrumentos de percussão? Dependendo do local, pode variar em três ou quatro. Para nós, existem os idiofones, que são aqueles que não têm nem pele, nem cordas, como por exemplo o xilofone ou a marimba. Temos também os membranofones, aqueles que têm pele (sintética ou de animal) ou membrana, como os batuques. Por fim temos os cordofones, que são os que têm corda, um exemplo é o ungo.

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