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Economia

Kwanza mantém-se estável depois de uma valorização de 30%

Desde o início do ano

Só desde o final de 2021, o Kwanza já apreciou 29% face ao dólar, passando de uma taxa média de câmbio de quase 555,0 Kz por dólar para 429,2 Kz esta quinta-feira. Já em relação à moeda europeia apreciou 47,1%, passando de 629,0 Kz desde 31 de Dezembro para 427,6 Kz a 25 de Agosto.

Contas feitas, cada dólar custa hoje menos 125,9 Kz desde 31 de Dezembro, e cada euro vale menos 201,4 Kz. Esta apreciação do Kwanza deve-se ao aumento das receitas com a exportação de petróleo, beneficiando pela alta de preços desta commoditie provocada pela guerra em território europeu.

Nos primeiros seis meses de 2022, Angola exportou 209,5 milhões de barris de crude, menos 643.243 barris que no mesmo período de 2021. Só que como vendeu a um preço médio de 99,7 USD, acima dos 60,4 USD em média verificados entre Janeiro e Junho de 2021, aumentou exponencialmente a receita. De acordo com cálculos do Expansão com base no site do Ministério das Finanças, os 210.159.845 barris exportados no I semestre de 2021 renderam quase 12,7 mil milhões USD, enquanto os 209.516.602 vendidos no mesmo período deste ano renderam quase 20,9 mil milhões USD, ou seja, mais 64,5%, aumentando a disponibilidade de dólares do país.

A própria receita fiscal do Estado com a exportação de petróleo cresceu 71% no período em referência, passando de 2,4 biliões Kz para 4,2 biliões no período em referência. Mas nem só do lado da oferta resulta a apreciação do kwanza. Do lado da procura, segundo o relatório do BNA sobre a Evolução do Mercado Cambial no I semestre de 2022, "os bancos adquiriram moeda suficiente para atender as necessidades do mercado, tendo-se observado, no geral, que a oferta foi capaz de cobrir a procura, o que concorreu para a apreciação da moeda nacional".

No primeiro semestre de 2022, os bancos compraram divisas no montante de 6,8 mil milhões USD, dos quais 2,2 mil milhões ao sector petrolífero, 2,1 mil milhões ao Tesouro Nacional, 723,0 milhões ao sector diamantífero e 513,8 milhões ao BNA, o que representa um aumento de 30,9%, comparativamente ao semestre anterior.

Assim, para já, a moeda nacional parece estabilizada ao "sabor" dos preços em alta do petróleo, e se o BNA, no relatório sobre o mercado cambial, parece confiante e perspectivar "um funcionamento normal do mercado cambial e que a taxa de câmbio continue a reflectir a interacção entre a procura e a oferta de moeda estrangeira, bem como a orientação da política monetária no que a liquidez em moeda nacional diz respeito, com vista a assegurar a estabilidade de preços", há analistas que não estão assim tão confiantes.

"A taxa de câmbio deverá voltar a registar depreciação nos próximos meses. O actual nível de taxa de câmbio está a ser sustentado pelo desempenho positivo do preço do petróleo e pela conjuntura eleitoral. São duas variáveis que vão começar a corrigir à medida que o preço do petróleo recua e a gestão da expectativa eleitoral acabe. Por outro lado, o BNA não vai conseguir enxugar a liquidez que tem libertado na economia. E logo, essa liquidez vai migrar do mercado monetário para o mercado cambial, o que deverá pressionar a apreciação cambial", admite Wilson Chimoco.

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