Petróleo sobe após novo ataque do Irão ao porto de Fujairah
Os preços do petróleo negoceiam com valorizações esta manhã se segunda-feira, à medida que os riscos de abastecimento no Médio oriente se parecem agravar com o conflito na região, na sequência de um segundo ataque do Irão ao porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos. Os preços do crude já subiram cerca de 40% nas últimas duas semanas.
Petro das 09h de Luanda, o West texas Intermediate (WTI) - referência para os EUA - sobeia 2,1%, para os 100,8 USD por barril. Já o Brent, referência para as exportações angolanas, valorizava 2,93% para os 106,2 USD por barril.
Ambos os contratos subiram mais de 40% este mês, atingindo seus níveis mais altos desde 2022, depois que os ataques dos EUA e de Israel ao Irã levaram Teerã a interromper a navegação pelo Estreito de Ormuz , bloqueando um quinto do fornecimento global de petróleo na maior interrupção de todos os tempos.
Assim, preços mais elevados do petróleo podem representar uma boa notícia para Angola, já que estão acima dos 61 USD por barril previstos no Orçamento Geral do Estado (OGE), o que pode gerar maiores receitas petrolíferas e dar mais margem financeira ao Estado para lidar com o défice orçamental. No entanto, essa subida também tem efeitos negativos. O aumento do preço da energia tende a desacelerar a actividade económica mundial e a aumentar a inflação internacional. Como Angola depende fortemente de importações para abastecer o mercado interno, acaba por importar parte dessa inflação. Além disso, como os combustíveis ainda são parcialmente subsidiados pelo Estado através da Sonangol, preços internacionais mais altos aumentam a pressão sobre as contas públicas, reduzindo parte dos benefícios da subida do crude.
Importa realçar que os EUA anunciaram na sexta-feira à noite que tinham atacado instalações militares na Ilha de Kharg, que gere a maior parte do petróleo produzido no Irão, embora a agência de notícias Fars tenha informado que as exportações a partir da ilha não estariam comprometidas. O bombardeamento da Ilha de Kharg agravou o alcance do conflito, que, segundo a Agência Internacional de Energia, já causou a maior interrupção no abastecimento da história do mercado global de petróleo.
Entretanto, o Presidente norte-americano, Donald Trump, disse aos jornalistas a bordo do Air Force One que está a "exigir" que outros países contribuam para a defesa do estreito de Ormuz, onde o tráfego parece permanecer ainda praticamente paralisado. "Grande parte do prémio geopolítico já estava refletido nos preços na semana passada, pelo que os operadores parecem estar à espera de sinais mais claros de uma perda efetiva de oferta antes de impulsionarem os preços significativamente para cima", disse à Bloomberg Haris Khurshid, da Karobaar Capital LP, em Chicago. Após o ataque a Kharg, "parece que o mercado está a precificar uma perturbação, em vez de um choque total na oferta", acrescentou.











