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Lucro da banca cai 16% para 253,4 mil milhões Kz, o pior arranque dos últimos 3 anos

NO PRIMEIRO TRIMESTRE

Depois de a banca ter encerrado o exercício económico e financeiro de 2025 com o maior lucro de sempre em moeda nacional, ao ultrapassar a barreira de um bilião de kwanzas, o sector regista agora o pior arranque dos últimos três anos. As quedas nos lucros do BAI, BFA e BPC pressionaram em baixa os resultados líquidos agregados da banca, travando o ritmo de crescimento que vinha a ser registado pelo sector.

O lucro conjunto dos 20 bancos comerciais que operaram no primeiro trimestre deste ano caiu 16% para 253,4 mil milhões Kz (cerca de 277,5 milhões USD), face aos 303,3 mil milhões Kz contabilizados no período homólogo, de acordo com cálculos do Expansão com base nos balancetes trimestrais individuais das instituições bancárias. Contas feitas, a banca comercial lucrou menos 49,9 mil milhões Kz quando comparado com o mesmo período do ano passado. Assim, depois de ter terminado o exercício económico e financeiro de 2025 com o maior lucro de sempre em kwanzas, ultrapassando a barreira de um bilião Kz, o sector regista agora o pior arranque dos últimos três anos.

E a culpa é dos grandes bancos, nomeadamente o BAI e o BFA, que registaram quedas nos lucros e empurraram o resultado junto da banca para baixo. Só para se ter uma ideia, o BAI viu os lucros passarem de 101,6 mil milhões Kz para 62,2 mil milhões Kz, o que representa uma queda de 39% nos resultados líquidos. Ou seja, o banco liderado por Luís Lélis lucrou menos 39,4 mil milhões Kz nos primeiros três meses do ano.

Já o BFA, liderado por Luís Gonçalves, viu os lucros caírem 10% para 58,0 mil milhões Kz, face aos 64,4 mil milhões Kz registados no período homólogo, menos 6,3 mil milhões Kz. Apesar destas quebras nos resultados líquidos, BAI e BFA continuam a ser, de longe, os dois bancos mais lucrativos da banca angolana. Ambos representam 47% do lucro total do sector no primeiro trimestre, entre os 20 bancos comerciais, o que demonstra não apenas o elevado nível de concentração do sistema bancário, mas também a forte dependência do desempenho destas duas instituições para a evolução dos resultados globais da banca.

Além destes dois bancos, também contribuíram para o recuo dos resultados do sector o BPC, cujos lucros afundaram 84% para 1,0 mil milhões Kz, o Banco Valor (BVB), com uma queda de 40% para 2,0 mil milhões Kz, o BNI, que recuou 38% para 890,2 milhões Kz, o BCA, com uma redução de 16% para 2,5 mil milhões Kz, e o Banco Keve, que apresentou uma ligeira diminuição de 1% para 20,1 mil milhões Kz.

Entretanto, não é possível perceber ao certo o que está na base da queda dos lucros destes bancos, uma vez que os balancetes apresentam apenas a estrutura patrimonial, o crescimento dos activos, o peso dos depósitos, os resultados líquidos e a evolução dos fundos próprios, mas não detalham suficientemente os elementos que determinam a margem financeira das instituições, como receitas de juros, custos de juros, comissões e imparidades. Ainda assim, entende-se que estes bancos registaram uma deterioração das suas margens financeiras, num cenário em que os custos de captação de recursos poderão estar a aumentar mais do que as receitas geradas pelos activos financeiros. Não é à toa que alguns bancos já começaram, neste segundo trimestre, a aumentar os valores das comissões dos serviços prestados, desde créditos, levantamentos e manutenção de contas.

A empurrar o resultado do agregado para baixo esteve também o Banco Económico, que foi o único a registar prejuízos, ven do os seus resultados líquidos caírem de 21,2 mil milhões Kz no primeiro trimestre de 2025 para resultados negativos de 2,9 mil

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