IDE não petrolífero disparou 171% para 959,4 milhões USD, o mais alto desde 2008
É necessário recuar 17 anos até ao período de "crescimento de ouro" da economia angolana para encontrar um investimento estrangeiro fora do Oil & Gas superior aos registados de 2025. Ainda assim, o sector não petrolífero só representa 10% do IDE realizado no País, o que significa que há um fosso enorme entre o que é investido no sector petrolífero e o que é investido nos outros sectores.
O Investimento Directo Estran geiro (IDE) fora do sector petrolífero disparou 171% para 959,4 milhões USD em 2025 face aos 353,5 milhões registados em 2024, ou seja, os estrangeiros investiram, em Angola, mais 605,9 milhões USD no ano passado, de acordo com cálculos do Expansão com base nas estatísticas do Banco Nacional de Angola (BNA). É necessário recuar 17 anos, precisamente até 2008, quando Angola captou cerca de 1.265,4 milhões USD (o maior IDE não petrolífero desde que há registos), para encontrar um registo melhor.
Trata-se de um período em que a economia angolana crescia a ritmos de dois dígitos, num período frequentemente considerado com a "era de ouro" do crescimento económico do País (2002--2008), marcado pelo petróleo. Durante esses anos, a taxa média de crescimento do PIB ultrapassou os 11%, reflectindo uma dinâmica económica muito distante da realidade observada atualmente. O economista Alves da Rocha, por exemplo, é de opinião que, nos próximos 30 anos Angola não terá capacidade de registar taxas médias anuais elevadas como as registadas naquele período.
O Investimento Directo Estran geiro ocorre quando uma entidade não residente em Angola compra total ou parcialmente uma empresa no País, adquirindo uma participação do seu capital, com o objectivo de controlar ou influenciar a sua gestão. Além das aquisições de empresas existentes, o IDE inclui a constituição de novas empresas ou sucursais, aumentos de capital, reinvestimento de lucros e prestações suplementares, entre outras operações.
O facto é que nas estatísticas sobre o IDE, o BNA apenas regista a entrada deste capital sem avançar mais informação, o que torna difícil perceber quais os investimentos que entraram efetivamente no País. Assim, entre Janeiro e Dezembro de 2025, o sector não petrolífero representou apenas 10% de todo o Investimento Directo Estrangeiro feito no País, um peso superior aos 4% que valia no período homólogo, ou seja, registou-se um acréscimo de 6,0 pontos percentuais. Ainda assim, é um sinal de que a petrodependência do País continua, apesar de algum crescimento do peso no PIB de áreas como comércio, indústria, agro-pecuária e transportes.
O fraco investimento nos sectores não petrolíferos (em comparação com o sector Oil & Gas) demonstra que os investidores se sentem pouco confortáveis em aplicar o seu dinhei ro em sectores sujeitos às circunstâncias próprias da economia nacional, onde o ambiente de negócios é considerado mau e prevalece alta de inflação, desemprego elevado, depreciação cambial, e lacunas ao nível do capital humano e índices de pobreza elevados.
O mesmo não acontece no sector petrolífero, em que a produção é quase toda canalizada para os mercados internacionais. IDE no Oil & Gas caiu 7% Se um por um lado o sector não petrolífero disparou, por outro, o sector do Oil & Gas registou uma queda de 7% para 8.853,1 milhões USD, menos 660,2 milhões USD), depois de contabilizar o valor mais alto dos últimos 8 anos no final de 2024, quando atingiu 9.513,3 milhões USD.
Assim, em 2025, o IDE petrolífero representou 90% do total de investimento directo estran geiro captado pelo País, o que significa que há um fosso enorme entre o que é investido no sector petrolífero e o que é investido nos outros sectores, ou seja, o petróleo continua a ser o grande impulsionador da economia nacional e é o sector que garante maior confiança aos investidores, apesar do declínio que se tem verificado nos últimos anos. Contas feitas, aumento de 605,9 milhões USD registado no IDE do sector não petrolífero, não foram suficientes para compensar a que da de 660,2 milhões USD no sector dos petróleos, o que levou o IDE total (petrolífero e não petrolífero) a recuar 1% para 9.812,5 milhões USD, menos 54,3 milhões quando comparado com ano de 2024.
Maior investimento angolano lá fora em 8 anos
Quando olhamos para o Investimento Directo Angolano no Es trangeiro, aquele que é feito quando os angolanos investem lá fora, registou um crescimento de 278% em 2025, ou seja, quase quadruplicou, ao passar de 33,1 milhões USD para 125,1 milhões (+ 92,1 milhões USD).
Este é o valor mais alto dos últimos 8 anos (desde 2018), e é totalmente assegurado pelo sector não petrolífero. Entretanto, durante muitos anos o investimento angolano no estrangeiro foi direccionado para o sector petrolífero, tendo registado o volume mais alto em 2017 (1.352,0 milhões USD).
De lá para cá, a trajectória inverteu-se. Actualmente, segundo o BNA, tem sido feito investimento angolano no estrangeiro no sector petrolífero desde 2018, ou seja, os angolanos deixaram de investir no Oil & Gas no estrangeiro e passaram a direccionar os seus investimentos para o sector não petrolífero.











