Petróleo recupera enquanto mercados avaliam riscos de abastecimento após o Irão negar negociações com os EUA
Os preços do petróleo abriram esta terça-feira em alta, impulsionados por crescentes receios quanto à oferta global, após o Irã negar estar em negociações com os Estados Unidos para pôr fim à guerra no Golfo. A declaração contradiz o presidente americano, Donald Trump, que havia afirmado recentemente que um acordo poderia ser alcançado em breve.
Por volta das 08h em Luanda, os contratos futuros do Brent - referência para as exportações angolanas - avançavam cerca de 2,8 dólares, ou 2,9%, para 102,8 USD por barril. Já o petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, subia 2,5 USD, ou 2,8%, para 90,6 USD.
A valorização ocorre após uma forte queda registada na segunda-feira, quando os contratos chegaram a recuar mais de 10%. Na ocasião, Trump anunciou o adiamento, por cinco dias, de possíveis ataques a infraestruturas energéticas iranianas, alegando a existência de contactos com autoridades de Teerã que teriam produzido "pontos importantes de entendimento".
Segundo Tim Waterer, analista-chefe de mercado da KCM Trade, citado pela Reuters, a decisão dos Estados Unidos reduziu significativamente o chamado "prémio de guerra" incorporado nos preços. Ainda assim, o especialista alerta que o mercado permanece volátil: "Os investidores sabem que, apesar da pausa nos ataques, o Estreito de Ormuz continua longe de ser uma rota segura".
O estreito, por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos globalmente, tem sido fortemente afetado pelo conflito, comprometendo o fluxo energético mundial. Ainda assim, dois petroleiros com destino à Índia conseguiram atravessar a via marítima na segunda-feira.
Do lado iraniano, Teerã rejeitou qualquer contacto com Washington, classificando as declarações americanas como uma tentativa de influenciar os mercados financeiros. A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ainda ter realizado ataques contra alvos americanos, descrevendo os comentários de Trump como "operações psicológicas ultrapassadas".
Num cenário de incerteza prolongada, analistas do banco Macquarie projetam que os preços do petróleo deverão manter-se entre 85 e 90 USD por barril no curto prazo, podendo regressar à faixa dos 110 USD enquanto a situação no Estreito de Ormuz não for normalizada. Caso a interrupção persista até ao final de Abril, a instituição admite que o Brent possa atingir os 150 USD por barril.











