Famílias angolanas fecham 2025 mais pessimistas face à evolução da economia
O indicador que mede a confiança do consumidor nacional está em terreno negativo há pelo menos sete anos. O pessimismo no seio das famílias reflecte a deterioração das condições de vida, marcada pela escassez de emprego, baixos rendimentos e elevado custo de vida. Neste contexto, as famílias tendem a consumir menos, reduzir o investimento e limitar a poupança.
Os consumidores angolanos mostraram-se mais pessimistas no final de 2025, com o Indicador de Confiança do Consumidor (ICC) a cair de -15,0 pontos no III trimestre para -16,3 pontos no IV trimestre, uma degradação de 1,3 pontos, o que demonstra que as famílias angolanas estão mais pessimistas sobre a situação económica e financeira do País, segundo o indicador publicado pelo INE.
A evolução negativa reflecte o contributo desfavorável de várias componentes do indicador, com destaque para a expectativa sobre a situação financeira das famílias nos próximos 12 meses, que caiu de -12,2 para -14,0 pontos. Também a percepção sobre a evolução da economia nacional no mesmo período deteriorou-se, ao passar de -8,5 para -10,7 pontos. Assim, o indicador mantém-se em terreno negativo há pelo menos sete anos, sinalizando um sentimento persistente de desconfiança por parte das famílias angolanas.
Ainda assim, no IV trimestre de 2025, o nível registado representa uma ligeira melhoria face aos -19,7 pontos observados no período homólogo. Mas o facto é que a confiança das famílias, tal como a dos empresários, baixou precisamente no IV trimestre em que, segundo dados do INE, a economia cresceu 5,7%, o segundo melhor desempenho dos últimos dez anos nos últimos três meses de um ano. Um contraste que simboliza que o crescimento da economia medido pelo INE não está a ser sentido pelas famílias e pelos empresários.
"Algo parece estar errado nos dados de crescimento da economia. Até porque as alterações dos dados dos trimestres anteriores continuam enormes. Segundo o INE, o crescimento deveu-se ao comércio e logística, telecomunicações e outros serviços, mas sobretudo aos subsídios cuja contabilização deixa muitas interrogações", defende o economista Heitor Carvalho.
"Não é estranho, portanto, que as famílias continuem a sentir um enorme aperto nos seus or çamentos", acrescentou. O ICC tem como objectivo obter a opinião dos agregados familiares face a vários aspectos da conjuntura económica e permite avaliar o nível ou o grau de confiança das famílias angolanas no que concerne à situação económica e financeira do País e dos agregados familiares. Famílias esperam mais desemprego O indicador do INE demonstra que as famílias estão mais pessimistas no que diz respeito ao desemprego e aos preços dos bens e serviços nos próximos 12 meses.
Só para se ter uma ideia, a percepção das famílias sobre o nível de desemprego nos próximos 12 meses aumentou de 27,6 pontos no III trimestre do ano passado para 30,3 pontos nos últimos três meses do ano, o que significa que as famílias esperam mais desemprego no curto prazo. Quanto às expectativas sobre preços dos bens e serviços nos próximos 12 meses, o indicador aponta para 39,8 pontos registados face aos 32,5 do trimestre anterior, ou seja, os consumidores esperam que os preços subam mais.
O mesmo sentimento que os consumidores têm sobre a inflação nos últimos 12 meses, já que passou de 74,7 pontos para 80,1 pontos no IV trimestre de 2025, o que significa que as famílias sentiram que os preços subiram. Ainda assim, os números do INE apontam que a inflação tem estado a baixar, com a taxa de inflação homóloga a fixar-se em 15,7% em Dezembro de 2025, o que representa uma desaceleração de 1,8 pontos percentuais face aos 27,5% registados em 2024, conforme o Índice de Preços no Consumidor Nacional (IPCN).
Apenas 25% dizem que é possível poupar
No inquérito sobre a confiança do consumidor são colocadas questões aos agregados familiares sobre poupança e expectativas sobre a aquisição de um bem valioso, como casa ou carro. Em resposta à questão "na actual situação económica do país, acha possível poupar algum dinheiro?", 25% dos agregados disseram que sim, 6% responderam que não e os restantes 68% disseram não saber ou não responderam.











