Lucros da banca crescem 15% e superam a barreira de 1 bilião de Kwanzas em 2025
Nunca a banca angolana rendeu tanto como em 2025. O forte crescimento dos lucros foi impulsionado, sobretudo, pelo retorno com aumento do investimento em títulos da dívida pública e pelos ganhos cambiais. BAI, BFA e Standard Bank foram os que mais contribuíram, ao registarem os seus maiores lucros de sempre.
Os 20 bancos comerciais que operam no sistema financeiro nacional contabilizaram, em 2025, um lucro conjunto de 1,0 biliões de Kwanzas (cerca de 1.126,2 milhões USD), o que representa um crescimento de 15% face aos 890,7 mil milhões Kz registados no mesmo período de 2024, de acordo com cálculos do Expansão com base nos balancetes do IV trimestre das instituições bancárias.
Este é o maior lucro de sempre, em kwanzas, do sector bancário angolano, ultrapassando o registo de 2024 graças ao retorno obtido com o aumento dos investimentos em títulos de dívida pública e com os cambiais.
Quando convertidos em dólares, os resultados líquidos dos bancos cresceram 10%, ao passar de 1.024,0 milhões USD para 1.126,2 milhões USD. Entretanto, os resultados alcançados no ano passado ainda estão longe de ser o maior lucro em dólares dos últimos dez anos, uma vez que estão abaixo dos 1,4 mil milhões USD contabilizados em 2018, precisamente o ano em que arrancou o processo de flexibilização da moeda nacional, em que o kwanza depreciou 46% face ao dólar.
Sem surpresa, os números foram influenciados pelo crescimento dos títulos de dívida pública nas suas carteiras de activos, o principal instrumento de investimento da banca angolana, já que estes cresceram 22% para 9,1 biliões Kz (+1,6 biliões). Os títulos representam 35% dos activos totais da banca, o que demonstra que os bancos continuam a preferir aplicar os seus recursos em dívida pública em detrimento do crédito à economia. Também contribuiu o retorno com o aumento exponencial da carteira de crédito dos principais bancos.
O facto é que durante os últimos anos tem-se levantado a questão sobre os lucros dos bancos andarem, muitas vezes, em contraciclo com a economia, o que levou o secretário de Estado do Tesouro, Ottoniel Santos, a questionar a rentabilidade da banca durante XV Fórum Banca do Expansão: "para que serve afinal a banca? Que valor gera? Para quem? Com que custos e com que benefícios para o conjunto da sociedade?". "Os lucros dos bancos são resultados que revelam eficiência e rigor regulatório, mas também levantam um desafio: num País que cresce a 4% ao ano, que leitura devemos fazer dos lucros bancários que avançam 20 vezes mais rápido? Que riscos - ou que oportunidades - esse desfasamento", sublinhou.
A questão que se coloca, de acordo com o responsável, não é de limitar a rentabilidade dos bancos, mas sim a de questionar o seu impacto real, ou seja, como e em que medida os lucros espelham a expansão do crédito produtivo ou em que medida a rentabilidade traduz inclusão, dinamismo e inovação.
Já o presidente da Associação Angolana de Bancos (ABANC), Mário Nascimento, diz que é verdade que a economia angolana viveu anos difíceis e que a banca, apoiada nos títulos do Tesouro e na gestão prudencial, conseguiu manter taxas de rentabilidade altas, mas é falso afirmar que a banca lucra contra a economia.
"O que existe é um sector reformado, cujos custos foram absorvidos ao longo de vários anos, fortemente regulado e supervisionado, que sofreu e sofre elevados custos de regulamentação, que tem contribuído para o aumento da formalização e da poupança, que é um sector com necessidade de taxas atractivas de rentabilidade para financiar a economia e a diversificação económica, que tem tido um contributo essencial para o funcionamento do Estado, e que tem mantido uma grande estabilidade ao longo de períodos de choques sucessivos e instabilidade económica", explica Mário Nascimento no seu artigo intitulado Os lucros da banca estão "em contraciclo" com o resto da economia angolana?, publicado na edição 854 do Expansão.
"O sistema bancário angolano não prospera contra a economia. Ele tem sido, silenciosamente, o amortecedor da crise, o garante da estabilidade financeira e a plataforma necessária para o próximo ciclo de crescimento e transformação estrutural da economia angolana", concluiu.
BAI e BFA detêm mais de 50% dos lucros
Há muito que aqueles que são os dois maiores bancos do sistema financeiro angolano "rivalizam" um com o outro nos vários rankings que podem ser atribuídos à banca. Mas é facto que o BAI tem ganha do mais espaço e já acumula os títulos de maior em activos, líder em créditos e campeão dos lucros.
O banco liderado por Luís Lélis (CEO), foi o que mais contribuiu para o crescimento agregado dos lucros da banca em 2025, ao registar um crescimento de 100%, ou seja, os resultados líquidos do BAI mais do que duplicaram para 302,4 mil milhões Kz, o seu record de sempre, e consequentemente, o maior lucro individual da história da banca.
Segue-se precisamente o BFA liderado por Luís Gonçalves, que registou um crescimento de 12% do lucro para 230,0 mil milhões Kz. O banco, que durante anos liderou o ranking dos maiores lucros da banca, viu-se ultrapassado pelo BAI, pelo segundo ano consecutivo. A fechar o pódio dos campeões dos lucros está o Standard Bank Angola (SBA) de Luís Teles (CEO), onde os lucros passaram de 124,2 mil milhões Kz para 153,6 mil milhões, um aumento de 24% em termos homólogos...











