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Opinião

Empreendedorismo da Geração Z no sector primário

CONVIDADO

Para quem está agora a escolher o seu percurso académico ou a pensar em investir num negócio próprio, o recado é claro. A diversificação económica de Angola tem de ser uma realidade prática para nos livrar da armadilha do petróleo. Resta saber quem da geração Z vai assumir o controlo desta nova narrativa.

A realidade agrícola em Angola está a passar por uma transformação profunda e as recentes decisões políticas trazem novidades que prometem agitar o ecossistema empreendedor da nossa juventude. Só quem tem estado distraído não tem dado conta que há quem deseje mudar para melhor o setor primário. O Ministro da Agricultura e Florestas, Isaac dos Anjos, no passado 23 de Julho, em Luanda, durante a segunda reunião ordinária da Comissão Económica do Conselho de Ministros, orientada pelo Presidente da República, João Lourenço, apreciou um regulamento histórico: a proteção legal de novas variedades de sementes e dos direitos dos seus criadores.

Na prática, isto significa que a propriedade intelectual chegou em força ao setor biotecnológico nacional. O governo quer proteger legalmente quem desenvolve novos cruzamentos, híbridos e cultivares, abrindo portas a um mercado altamente tecnológico e seguro para quem quer investir em ciência.

Para a Geração Z angolana - os jovens que dominam as novas ferramentas de informação e procuram constantemente formas inovadoras de contornar as dificuldades -, esta mudança legislativa não é apenas burocracia estatal. Numa realidade onde as taxas de desemprego jovem continuam a sufocar os planos do pessoal mais qualificado, e onde o desejo de emigrar em busca de um futuro melhor se tornou o tema principal em qualquer conversa, o empreendedorismo baseado na ciência aplicada ao campo surge como uma alternativa real para inverter esta tendência. O país não pode continuar refém do círculo vicioso da dependência do petróleo, cujas flutuações de preço no mercado internacional ditam a estabilidade da nossa economia interna. Esta dependência excessiva do crude sufoca a inovação local e faz com que fiquemos todos dependentes de um mercado de trabalho tradicional que já não garante oportunidades para ninguém.

A verdade é que a juventude angolana enfrenta diariamente o impacto dos preços altos, com a inflação a encarecer o custo de vida todas as semanas, enquanto o poder de compra diminui drasticamente. Contudo, a solução para mitigar o desemprego e fixar o talento nacional no país passa por soluções práticas integradas a este novo decreto.

Os jovens engenheiros de software, agrónomos e gestores devem unir esforços para fundar empresas tecnológicas focadas no rastreamento de dados agrícolas e distribuição inteligente de sementes certificadas. Aproveitar a rede de laboratórios privados e públicos para desenvolver e patentear sementes híbridas adaptadas ao clima de cada província, gerando rendimentos através de direitos de propriedade intelectual (royalties). Mas também estabelecer consórcios entre recém- -licenciados e investidores locais para financiar a produção em larga escala de sementes de alta qualidade, diminuindo diretamente a nossa dependência de produtos importados e reduzindo os preços no mercado de consumo.

Além do foco na inovação botânica, o plano executivo mexe também com a pecuária e a saúde animal. Com o aumento de animais de companhia em meio urbano e a expansão das explorações agropecuárias, o governo avançou com a atualização das taxas veterinárias e o reforço dos postos de quarentena, como os do Planalto da Camabatela. O objetivo é duplo: travar as zoonoses e dinamizar a medicina veterinária privada. Como solução para os profissionais do setor, este cenário abre espaço para o empreendedorismo na saúde animal, incentivando a abertura de novas clínicas privadas, cooperativas de assistência técnica rural e laboratórios de diagnósticos descentralizados.

Esta modernização funciona como a estrutura de suporte perfeita para garantir a biossegurança de que o país precisa para crescer de forma sustentável, gerando emprego qualificado para médicos e técnicos que hoje enfrentam a inatividade. Para quem está agora a escolher o seu percurso académico ou a pensar em investir num negócio próprio, o recado é claro. A diversificação económica de Angola tem de ser uma realidade prática para nos livrar da armadilha do petróleo. Resta saber quem da geração Z vai assumir o controlo desta nova narrativa.

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