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Opinião

Modernização tecnológica A reputação decide-se na execução

Sandra Camelo , COO TIS

As organizações a fazerem uma análise e diagnóstico e perguntarem-se se a organização consegue provar, em qualquer dia, que controla o que opera, o que terceiriza e o que promete? Será que está a preparar correctamente a sua modernização?

A modernização tecnológica entrou no centro da reputação organizacional porque mexe no que o mercado sente primeiro, a continuidade de serviço, a integridade de dados e a previsibilidade. Quando estes três pilares falham, a confiança recua, a pressão regulatória sobe e a licença social encolhe. Como directora de operações, observo um padrão recorrente em Angola, a modernização nasce como projecto de eficiência e termina como teste público de maturidade. O que separa uma trajectória sólida de um desgaste reputacional reside no modo como se desenha, controla e prova a execução.

A modernização

como resposta às dores do mercado O mercado compra a redução de fricção, falhas raras e surpresa controlada. Nas empresas onde um minuto de indisponibilidade trava transacções, cadeias de abastecimento ou serviços ao cidadão, a modernização tem um papel operacional vital para o sucesso dessa empresa, ao reduzir o risco de paragem e aumentar a capacidade de resposta a picos, incidentes e novas exigências. Mas, quando a organização confunde velocidade com aceleração, começam a acontecer erros. Na verdade, é importante percebermos que para modernizar com segurança é necessário um regime de decisão claro, o controlo das mudanças, um inventário de activos e dependências, e um desenho de continuidade antes da entrada em produção. Desta forma reduz-se o improviso para que toda a operação seja mais previsível.

O mecanismo ignorado: quando a execução, os dados e terceiros se convertem em perda de confiança

Quando há quebras reputacionais, estas raramente nascem de um ataque ou da falha em si. Surgem no pós-evento, quando os clientes, o regulador e os parceiros percebem que a organização não sabia o que tinha, não conseguia explicar o que aconteceu e dependia de terceiros sem visibilidade real. Há três vectores de erosão silenciosa. Primeiro, quando os dados têm qualidade fraca, linhagem opaca e acessos mal desenhados transformam qualquer incidente num problema de credibilidade, porque ninguém consegue provar o que ficou exposto, o que foi alterado e o que permaneceu íntegro.

Segundo, quando elementos terceiros como infra-estrutura em nuvem, software, integrações e suporte criam uma cadeia de fornecimento tecnológica onde um elo fraco arrasta todos. Terceiro, quando a execução não é planeada, bem definida e correctamente alinhada, levando a mudanças na produção sem disciplina, testes incompletos e documentação inexistente, provocando atrasos, retrabalho, conflitos contratuais e perda de talento. O mercado lê estes sinais como ausência de controlo. Uma organização sem controlo torna-se cara em prémios de seguro, em auditorias, em litigação, em perda de clientes e em custo de capital.

Que sinais o mercado interpreta como carácter e segurança

A reputação tecnológica mede- -se por evidência, em termos operacionais, a modernização tecnológica vale pela capacidade de manter o serviço estável e de recuperar depressa quando algo falha. Para isso, a organização precisa de fazer três coisas consistentemente: detectar problemas cedo, voltar ao normal com rapidez e aprender o suficiente para reduzir a repetição.

Na prática, isto obriga as organizações a planear as mudanças com testes e planos de reversão; equipas treinadas com simulações regulares; sistemas actualizados e adequados à operação e ao mercado, registo do essencial para explicar o que aconteceu e com que impacto; fornecedores com padrões mínimos de segurança e de resposta.

Quando estes passos entram na rotina, a modernização tecnológica passa a ser uma prova de controlo, de crescimento e de robustez da organização. Há também sinais de confiança, como o volume e a natureza de reclamações depois de incidentes, o tempo de resposta a pedidos críticos, a estabilidade de equipas-chave, o número de incidentes repetidos com a mesma causa, e a discrepância entre promessas comerciais e capacidade real.

O contra-argumento: "é preciso velocidade"

Oiço com frequência que, Angola tem necessidades urgentes e uma ambição clara de encurtar distâncias tecnológicas, fruto do seu crescimento e diversificação económica. Nesse contexto, faz sentido dar prioridade à execução, com planeamento claro e estruturado, para automatizar processos, modernizar plataformas, lançar serviços que facilitem a vida a empresas, das instituições e das pessoas. Quando a pressão por resultados é alta, as medidas de controlo, os registos de evidência e as revisões podem ser percebidos como etapas que atrasam os projectos. Mas a confiança cresce quando a organização entrega, com consistência, soluções que funcionam e geram crescimento.

A velocidade sem controlo cria externalidades e destrói valor

A economia institucional ensina que os incentivos de curto prazo empurram custos para fora da organização, para clientes, para o Estado, e para a sociedade. Uma modernização apressada transfere risco sob a forma de indisponibilidade, fugas de dados, falhas de facturação, degradação de serviço e perda de confiança. O custo de oportunidade aparece por um lado ao adiar a modernização mantendo fragilidades, ou por outro, ao executar mal cria danos que atrasam mais do que qualquer controlo. Entre o atraso planeado e o incidente público, o mercado prefere a previsibilidade.

Passos a dar para garantir coerência e eficiência

Investir em talento crítico e reduzir dependência de indivíduos: redundância, formação, rotação assistida e documentação operacional. Definir quem decide, quem executa e quem valida, e associar responsabilidades a métricas e evidência verificá..

Leia o artigo integral na edição 864 do Expansão, sexta-feira, dia 20 de Fevereiro de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)

*Sandra Camelo , COO TIS

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