Saltar para conteúdo da página

Logo Jornal EXPANSÃO

EXPANSÃO - Página Inicial

Opinião

Prioridades

EDITORIAL

É em alturas como esta que todos precisamos de instituições fortes, que os governantes assumem um papel fundamental, que podem mostrar de que forma querem ficar na História - multimilionários apenas, ou reconhecidos como figuras de inegável valor para o futuro do País.

A vinda a Luanda de uma delegação de topo do Deutsche Bank, a sua relação com os bancos angolanos e a sua visão sobre aquilo que é o sistema financeiro nacional, são boas notícias para o País. Num momento em que tentamos cumprir todos os requisitos para sair da lista cinzenta do GAFI, estes factos são positivos porque indicam que as instituições internacionais acreditam no esforço que estamos a fazer. Aliás, neste particular, o mais difícil de cumprir não são os parâmetros que dependem da forma como o sistema financeiro funciona, mas os outros que dependem da vontade política - funcionamento independente e transparente do sistema de justiça, exercício pleno do direito de propriedade, não interferência do governo nas instituições do Estado, cumprimento para todos da legislação existente, etc.

Obviamente, que existe um dado novo em toda esta equação, sobre o qual já falámos várias vezes neste espaço. A postura do presidente dos Estados Unidos face aos seus aliados tradicionais obriga a que estes sejam mais "atrevidos" e "efectivos" na cooperação com os países em vias de desenvolvimento, e isto beneficia África, em geral, e Angola em particular. O desafio agora é agarrar esta oportunidade, solidificando parcerias, alterando algumas das posturas de governação no sentido de criar laços de confiança que sobrevivam no tempo. Precisamos de muito investimento, temos de gerir a dívida de forma inteligente, e isso só se faz com muitos parceiros.

Também é verdade que, apesar de muitos excessos que foram cometidos e que várias vezes foram factores impeditivos na relação com países de maior exigência democrática e de transparência, Angola, no contexto africano, é vista como um player importante. O facto de África do Sul ter assumido uma posição de confronto com aquilo que é a governação nos Estados Unidos e de se ter encostado mais aos BRICS "abriu-nos" uma porta para melhorar a nossa relação com os países ocidentais. Que nesta altura também lutam pela sua sobrevivência em termos da liderança económica mundial, o que os faz olhar para nós de forma mais simpática.

E sem complexos ou culpas, devemos assumir esta onda, e perceber bem como nos podem ser úteis. Tal como a China, a Rússia, a Índia ou os países árabes. É da nossa história ter relações políticas e diplomáticas alargadas, e deve ser assim também na economia e nas finanças. Não podemos é perder o espírito patriótico, pensar no País como um todo, não ficar deslumbrados com os resultados destes processos de cooperação, como aconteceu no período da Reconstrução Nacional, quando milhares de milhões de USD entraram no País e foram desbaratados por um grupo de pessoas em coisas, que efectivamente, trouxeram muito pouco retorno à Nação.

Temos de ter suficiente humildade para pensar que não somos iluminados, que não somos ricos, que não somos intocáveis, e não pensar que estes "parceiros" que agora se sentam à mesa nos amam, ou que acham que somos os mais bonitos. É em alturas como esta que todos precisamos de instituições fortes, que os governantes assumem um papel fundamental, que podem mostrar de que forma querem ficar na história - multimilionários apenas, ou reconhecidos como figuras de inegável valor para o futuro do País.

Esperemos, todos, que as prioridades não estejam na acumulação da riqueza lá fora, mas na resolução dos problemas, cá dentro.

Logo Jornal EXPANSÃO Newsletter gratuita
Edição da Semana

Receba diariamente por email as principais notícias de Angola e do Mundo