"O reggae é um estilo que tem muito a ver com África, a pobreza, a justiça e a igualdade"
Considerado um dos maiores produtores e promotores do estilo musical reggae, o músico Legalize defende que utiliza a música como um meio para fazer activismo social, porque os homens que guiam o País estão a abandonar o povo, sobretudo os mais jovens, que se vêem obrigados a refugiar numa nova profissão chamada "lotador", por falta de oportunidades em Angola.
Vai realizar já no domingo um concerto no Prova D"Art. Como estão a ser os preparativos?
Estamos a fazer os preparativos naturalmente, sem emoção, mas com um grande sentido de disciplina. Tivemos dois dias de ensaios com a banda, composta pelo solista T.D., na guitarra e ritmo está Gilson Bessa, na guitarra baixo Mias Galheta, nas teclas Mancho, da Banda FM, na bateria Zuma, nas congas Buxo e, no coro, estão Joelma e Wilker Neto, que é meu filho.
Durante o ano. quantos concertos realizou?
Participei em vários, como convidado. Este será o primeiro individual e será especial, porque é 100% reggae. Vou apresentar o meu primeiro disco, lançado em 2003, com o título "Deus Vive", mas vou apresentar também algumas músicas de Bob Marley, Peter Tosh, Alpha Blondy e de alguns clássicos angolanos, como Artur Adriano, Luís Visconde, Sofia Rosa, David Zé e Tony Caetano, mas cantadas no estilo reggae.
Por que preferiu fazer um concerto 100% reggae?
É o estilo que o identifica? Venho com esse estilo já há muitos anos. Este concerto, para mim, é uma forma de renascer. Há pessoas que gostam, outras não. Mas o reggae é uma música internacional. Vou mostrar o que tenho feito ao longo dos tempos e trazer clássicos angolanos num estilo que as pessoas jamais imaginaram que fosse possível cantar. No entanto, a realização do concerto é uma forma de eternizar e internacionalizar a música angolana. Oxalá seja divulgado o máximo possível, para que o mundo saiba que em África existe, não apenas um reggae jamaicano, mas também angolano.
É intérprete de semba, rumba e kizomba, mas prefere o reggae. Porquê?
Porque é um estilo que tem muito a ver com África, com a pobreza, com a justiça e a igualdade. Sou uma pessoa justa e luto pela igualdade. Gosto de acudir aos mais necessitados. Então, identifico-me mais com o reggae, porque sou angolano, sou africano e o reggae está no continente. Muitos são rastas e não sabem que são rastas, porque ser rasta não é só ter dreadlocks - ser rasta é ter um coração bondoso, amar o próximo, fazer e pensar o bem. E, por sermos africanos, temos essa matriz. Os que cantam reggae na Jamaica são nossos irmãos e lutamos pelas mesmas causas.
Quer dizer que encontra na música, sobretudo no reggae, uma maneira de fazer activismo social?
Sim! Por conta das mensagens que o estilo transmite. O reggae é uma música muito séria, pois trata de questões sociais, de intervenção económica e política, de questões ligadas à liberdade sexual e não só. Entretanto, identifico-me mais com essas causas.
Não é possível trazer essa liberdade para a rumba, a kizomba ou o semba?
Também é possível. O que eu canto no semba é o mesmo que canto no reggae. Então, a música permite-me falar de tudo e mais um pouco. Por exemplo, falo da moça que anda e se veste de forma extravagante, do moço que anda perdido no álcool, da falta de água, de luz, das estradas esburacadas, etc. No entanto, não deixo de apelar aos governantes e à juventude para praticarem o bem e evitarem a violência....















