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África

África do Sul enfrenta nova crise energética na quadra festiva

RECURSO A TURBINAS A DIESEL E PREÇOS EM ALTA FAZEM DISPARAR FACTURA DOS COMBUSTÍVEIS

País tem pela frente seis meses de novos cortes de energia, que agravam os apagões na quadra festiva. Avarias e actos de sabotagem nas centrais a carvão obrigaram a Eskom a recorrer a turbinas a diesel e fizeram disparar a factura dos combustíveis. De cofres vazios, governo está em contrarrelógio para arranjar dinheiro.

O crescente aumento do preço dos combustíveis agravou a factura energética da África do Sul, numa altura em que se anunciam novos cortes no abastecimento e o país procura financiamento para o plano de transição das centrais a carvão, que asseguram mais de 80% da electricidade produzida no país, e que está avaliado em 98 mil milhões USD, nos próximos cinco anos. Até Junho de 2023, o país vai manter-se com o fornecimento de energia condicionado, segundo a Eskom. A estatal de electricidade anunciou novos cortes e faz um esforço para assegurar fundos para comprar combustíveis para as turbinas a diesel.

África do Sul, recorde-se, enfrenta este ano cortes de energia recorde por avarias nas centrais eléctricas a carvão, o que obrigou a empresa a operar turbinas a diesel nos picos de consumo, elevando a factura dos combustíveis, nos primeiros 10 meses do ano, para 634 milhões USD, de acordo com Jan Oberholzer, director operacional da Eskom. Os apagões deste ano, com interrupções de nove horas seguidas em pleno dia para evitar o colapso da rede, elevaram os custos de operação das empresas e agravaram o ambiente de negócios, já muito penalizado por dois anos de pandemia.

A confiança dos empresários caiu, no 3.º trimestre do ano, passando de 42 pontos para 39, no inquérito do Rand Merchant Bank, divulgado esta semana, com os cortes de energia a pesaram no agravar do pessimismo. Com pouca margem no orçamento, o Departamento de Empresas Públicas e a Eskom trabalham, em contrarrelógio, com o Tesouro Nacional para reunir fundos para adquirir gasóleo, revela a Bloomberg. Com uma dívida de 23,1 mil milhões USD e pagamentos em atraso dos municípios de 3 mil milhões USD, a empresa está descapitalizada.

Reservas esgotadas

No domingo, o ministro das Empresas Públicas, Pravin Gordhan, reuniu com a direcção da Eskom, depois de a empresa revelar que ia implementar um novo plano de cortes. O aumento dos cortes "deve-se principalmente aos elevados níveis de avarias e ao esgotamento das reservas de geração de emergência", informou a empresa, num comunicado, onde diz ter atingido a fase 4 dos cortes, que significa que serão removidos 4.000 megawatts da rede. Segundo a Eskom, três unidades da Central Eléctrica de Kusile estão offline devido a falhas na conduta (estrutura da chaminé), ocorridas no final de outubro, e permanecerão meses fora de serviço, em reparações.

A central de Koeberg, que é a "mais fiável", será submetida a operações de manutenção de 8 de dezembro a junho de 2023 e outras três centrais eléctricas - Arnot, Grootvlei e Majuba - serão sujeitas a operações de reparação, operando de forma condicionada. As informações da Eskom prenunciam uma quadra festiva pouco iluminada. "Temos actualmente 5.354 MW em manutenção planeada, enquanto outros 14.495 MW de capacidade não estão disponíveis devido a avarias", esclarece a estatal de electricidade, acrescentando que a "redução de carga é implementada apenas como último recurso, tendo em conta a falta de capacidade de geração de energia e a necessidade de atender a avarias".

Actos de sabotagem e roubo

Mais de 80% da electricidade gerada pela Eskom é proveniente de centrais a carvão, muitas delas degradadas, outras alvo de actos de sabotagem e roubo. A 16 de Novembro, uma semana depois de dois motoristas terem sido detidos na posse de carvão roubado, a empresa anunciou a detenção de um empreiteiro que trabalhava na Central de Camden, por ligações a um acto de sabotagem, ocorrido seis dias antes.

(Leia o artigo integral na edição 702 do Expansão, de sexta-feira, dia 25 de Novembro de 2022, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)