Macron apoia mecanismo de garantia para reduzir risco africano
Presidente francês anunciou em Nairobi o apoio à criação de um mecanismo de garantia para reduzir os riscos dos empréstimos ao continente, proposta que Macron está disposto a defender na cimeira do G7 em Junho. Líderes africanos insistem em avaliações de crédito, sem o viés que tem penalizado as economias africanas.
Apesar da promessa de investimento de 23 mil milhões de euros em África, feita pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, em Nairobi, os líderes africanos presentes na Cimeira Africa Forward, organizada em conjunto pela Fran ça e o Quénia, insistem no acesso facilitado ao crédito para ajudar a financiar grandes projectos e impulsionar o crescimento económico.
Em causa as condições que os governos africanos enfrentam no acesso ao crédito, por causa de uma percepção demasiado elevada do risco, frisou o presidente anfitrião, William Ruto, no segundo dia da cimeira, que juntou em Nairobi mais de 2.000 participantes e 30 líderes governamentais.
"A questão não é a liquidez. É a arquitectura de risco", insistiu o presidente queniano, que rece beu o convite de Macron para participar na cimeira do G7, em Junho, onde poderá apresentar propostas para a alteração das metodologias usadas pelas agências de notação financeira. Para o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que termina o seu mandato em Dezembro, "este não é um vere dicto do mercado sobre África. É um veredicto sobre as injustiças do sistema".
Segundo Guterres, que insistiu uma vez mais na necessidade de reformas nas instituições globais que "reflictam o mundo como ele é hoje e não como era há 80 anos", os países africanos enfrentam "custos de empréstimo que são, em média, duas vezes superiores aos das economias industrializadas mais avançadas". As principais agências, a S&P, a Moody"s e a Fitch, rejeitam as acusações de enviesamento regional, afirmando que as suas classificações se baseiam em critérios globais, divulgados publicamente.
Apesar de negarem, um relatório de 2023, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) concluiu que a forma como as principais agências de notação avaliam as economias africanas custou ao continente 74 mil milhões USD em oportunidades de financiamento perdidas.
O relatório deixou claro que "os métodos utilizados pela S&P, Moody"s e Fitch nem sempre são apropriados para as economias africanas" e deu nota que "estas agências dependem de algoritmos concebidos para modelos macroeconómicos tradicionais, que nem reflectem as realidades únicas dos mercados africanos".
O viés das Big Three, como são conhecidas as três grandes agências de notação financeira, é uma queixa recorrente dos líderes africanos, o que levou a União Africana a anunciar oficialmente, em 2023, planos para a criação de uma agência africana de notação, prevista para arrancar no segundo semestre de 2025, durante a presidência angolana. Ambição que ainda não se...










