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Viragem histórica nos EUA é "cartão vermelho" a políticas de Trump

COM 7 ELEITOS DE ORIGEM AFRICANA, CONGRESSO PASSA A SER LIDERADO POR NETO DE CABO-VERDIANOS

Na "enfática vitória democrata de terça-feira, os eleitores repudiaram o presidente Donald Trump de forma tão contundente como em nenhum outro presidente em décadas", escreve Ronald Brownstein, colunista da Bloomberg. A onda azul tomou os EUA e prepara cenário para vitória democrata nas presidenciais de 2028.

"Esta noite, o povo americano enviou uma mensagem clara: quer uma política que una as pessoas em vez de as dividir, e líderes que ofereçam soluções concretas para os desafios que enfrentam", afirmou o ex-Presidente Barack Obama, numa declaração aos resultados das eleições intercalares nos EUA, que deram uma vitória história aos democratas.

O Partido Democrata passa a assumir o controlo do Senado e da Câmara dos Representantes, que será liderada a partir de Janeiro por um neto de imigrantes cabo-verdianos. Hakeem Jeffries, com raízes na Ilha do Fogo, celebrou o "regresso da América", país que "não está à venda", e prometeu responsabilizar aqueles que impuseram aos Estados Unidos "uma corrupção sem precedentes", embora tenha descartado ajustes de contas, preferindo "resolver os problemas" dos cidadãos.

Apesar de não mencionar o nome de Donald Trump, a declaração do novo líder do Congresso dos EUA tinha destinatário concreto: o grande responsável pela derrota dos republicanos, partido que perdeu importantes bastiões e onde os democratas não ganhavam há décadas, como o Texas, Kansas, Iowa, Carolina do Sul, Michigan e Geórgia.

"Os eleitores em bastiões conservadores que tinham impulsionado Trump para o seu segundo mandato há apenas dois anos migraram drasticamente para os democratas, alimentados pela profunda frustração com a guerra com o Irão, o elevado custo de vida e a gestão de Trump no país", refere a Reuters, acrescentando que os "resultados inauguram uma nova era de governo dividido em Washington".

Os dados provisórios divulgados no final da manhã em Luanda davam conta que os democratas tinham assegurado 54 lugares no Senado, contra 44 dos republicanos, e 228 na Câmara dos Representantes, ultrapassando as maiorias necessárias em ambas as câmaras. Isto significa que a Administração Trump passa a enfrentar um Congresso controlado pela oposição durante os seus dois últimos anos de mandato, ficando com grandes limitações na sua capacidade de decisão, com o governo a estar sujeito a maior escrutínio e investigações.

Fissuras na MAGA Trump disse estar "absolutamente disposto a aceitar" os resultados eleitorais e trabalhar com os democratas, mas não deixou de "sacudir a água do capote", à sua maneira, atribuindo a derrota republicana ao facto de o seu nome não estar nos boletins de voto. Já numa entrevista telefónica ao WSJ, o Presidente dos EUA reconheceu que a guerra com o Irão foi parcialmente responsável pelas amplas derrotas republicanas, mas afirmou não se arrepender de a ter iniciado. "Não penso nisso. Fiz a coisa certa. Tê-lo-ia feito de novo", declarou o inquilino da Casa Branca.

Na "enfática vitória democrata de terça-feira, os eleitores repudiaram o Presidente Donald Trump de forma tão contundente como em nenhum outro presidente em décadas", escreve Ronald Brownstein, colunista da Bloomberg, notando que os resultados expuseram "fissuras na coligação principal do MAGA [Make América Great Again], composta por eleitores brancos sem formação universitária e de zonas rurais, que tem sustentado Trump desde 2016".

Já David M. Drucker, outro colunista da Bloomberg e autor do livro "Na Sombra de Trump: A Batalha por 2024 e o Futuro do Partido Republicano", exorta os republicanos a...

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