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Opinião

Desemprego jovem, empreendedorismo e barreiras à entrada

Convidado

Desde a crise iniciada em 2014 que os macroeconomics fundamentals se vêm deteriorando, e viver em Angola tem-se tornado uma tarefa cada vez mais difícil, sobretudo para os jovens que são naturalmente sonhadores. Diga-se, desde logo, que a esperança não tem estado no tempo, porque à medida que passa as dificuldades vão-se agravando e, numa conjuntura como esta, recorrer a Deus parece ser a solução dos que anseiam por uma oportunidade, faz tempo! As cifras de desemprego vêm aumentando e os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) apontam para um desperdício da força de trabalho em idade activa na ordem dos 32,7%, sendo que mais de 52% dos jovens se encontram desempregados, ou seja, em cada cinco jovens, somente um tem emprego.

Para além disto, cerca de 69% da população, entre 15-24 anos, trabalha no sector informal. Ainda, neste grupo etário, cerca de 24% dos jovens não trabalha, não estuda e não está a fazer nenhuma formação! Vê-se logo que os jovens têm o seu futuro ameaçado e a sua moral está em baixo.

Mais do que ter níveis altos de desemprego, o pior é ter milhões de desempregados formados. Neste caso, este cenário merece a atenção especial de todos os formuladores de política económica e social.

Com o agravamento da crise, a oferta de emprego distanciou-se cada vez mais da procura por emprego. Ora bem, o problema é passível de resolução, não no curto prazo, mas no médio e longo prazo. Sendo que o desemprego é cíclico, o crescimento económico seria apontado como solução. No entanto, visto que o desempenho da economia continua muito atrelado ao sector petrolífero, não se pode colocar o futuro dos mancebos à mercê de uma variável instável e determinada exogenamente.

Deste modo, a solução passaria pelo estímulo e promoção do autoemprego e empreendedorismo. Tendo percebido que nem todos precisam de trabalhar num banco ou na função pública, muitos jovens têm-se posicionado na vanguarda, apostando na criação do próprio negócio e noutras actividades lucrativas. Para os que desejam ser empresários, as reclamações são inúmeras, pelo que, fui levado a compilar aquilo que chamo de barreiras à entrada.

Barreiras à entrada

Do ponto de vista da economia industrial, não existe nenhum consenso quanto ao conceito de barreiras à entrada. Atendo-me ao conceito de G. J. Stigler, eu próprio defino barreiras à entrada como sendo os custos que os empresários têm de incorrer no processo de criação da sua empresa e mantê-la em funcionamento com base no princípio contabilístico da continuidade, tendo em vista que a taxa de mortalidade das empresas está avaliada em 1,2%.

As barreiras à entrada podem ser naturais e artificias, e com base na realidade do nosso País, vou tentar distingui-las da forma mais simples possível.

As barreiras naturais são aquelas impostas pela conjuntura económica e pelo nível de desenvolvimento do próprio País. As barreiras artificias são impostas por intervenientes do mercado (empresas já instaladas), pela administração pública, pelos formuladores de política económica e pelo mercado de crédito.

Relativamente às barreiras naturais, a conjuntura económica tem levado à mortalidade de muitas empresas, por um lado, porque os níveis de produção e fornecimento baixaram significativamente (sobretudo empresas que dependiam de cambiais para sobreviver), por outro lado, devido à quebra sistemática dos níveis de consumo que foram ainda mais agravados pelo alargamento da base tributária. Outro aspecto que merece a nossa atenção é o facto de que ainda não se cultivou a ideia de se consumir não somente para o estômago, mas para estimular e ajudar os empresários.

*Economista e docente universitário

(Leia o artigo integral na edição 589 do Expansão, de sexta-feira, dia 28 de Agosto de 2020, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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