Saltar para conteúdo da página

Logo Jornal EXPANSÃO

EXPANSÃO - Página Inicial

Logo WeekendLifestyle

"O nosso propósito é mostrar o empenho dos artistas no processo de independência de Angola"

JEREDH SANTOS & JOSÉ JULIÃO | COLECCIONADORES

Jeredh Santos e José Julião são coleccionadores e amigos há quase 10 anos. O primeiro colecciona para si, o segundo é também marchand de arte. Juntaram as suas peças e abriram a exposição "Angola 75", uma homenagem aos 50 anos de independência do País.

Quando começaram a desenvolver essa paixão pela arte?

Jeredh Santos (J.S) | Acredito que a arte faz parte do meu DNA, pois comecei a interessar-me desde muito cedo, penso que entre 1990 e 1993, Mas foi em 1999 que comecei a preservar itens históricos. Entre os 10 e 16 anos já coleccionava selos, baralhos de cartas, cariocas, pássaros, óculos, rolhas que usávamos para fazer um jogo de mesa, coleccionei "kulus", que são as latas de Coca-Cola, cerveja, refrigerantes, água tónica, ou seja, todo o tipo de bebida que era produzida em lata, na época, fazia colecções de latas cheias e vazias. Coleccionei selos desde muito cedo e por muitos anos, depois perdi o gosto e só agora, com mais de 50 anos, retornei aos selos.

Por que não se tornou artista em vez de coleccionador?

J.S | Porque se calhar não tenho o dom de ser artista ou ainda não o descobri. A minha paixão por coleccionar começa por conta da dificuldade que tinha de encontrar ou comprar presentes em Angola. Não tinha o que dar às meninas e aos amigos que vinham do exterior passar férias. Era preciso ir sempre à Ilha de Luanda comprar artigos de artesanato como conchas para oferecer. O curioso é que anos de pois as pessoas ainda comentavam, sobre os artigos que lhes oferecia. Ser coleccionador tem a realidade e, ser artista ou não, é um dom.

O que é necessário para ser um coleccionador além de recursos?

J.S | Os recursos não são tão necessários para se tornar coleccionador, porque não devemos coleccionar simplesmente coisas caras. Podemos coleccionar coisas que usamos no dia-a-dia como livros da 1ª, 2ª e 3ª classe. Nunca devemos deitar fora os nossos livros, pois, quando estivermos a frequentar a universidade, teremos uma colecção de livros significativa. No entanto, para ser coleccionador a pessoa tem de ter paixão por obras de arte, vontade, paciência e tempo para juntar, organizar e preservar os itens.

E na sua opinião, José Julião?

José Julião (J.J) | É preciso gostar de arte. Antes de começar a comercializar arte, era um simples coleccionador. Tudo começou com a serigrafia de um pintor moçambicano, o Malangatana Ngwenya, uma obra que me foi ofertada por um amigo, Aladino Jass. Após receber o presente, passei a comprar arte, a frequentar um núcleo em Moçambique, país onde vivo. Passei a comprar vários artigos e a comercializar. No entanto, pesquisei sobre como vender obras em leilões mundiais, como tirar uma peça de Angola ou Moçambique para vender no mercado internacional. Depois veio a paixão por cartazes, porque aos 23 anos vivi em Lisboa e frequentava uma feira que se chamava "Feira da Ladra" que ficava próximo à minha residência. Havia um alfarrabista, de nome Eduardo Martinho, um dos mais antigos, que me vendeu o primeiro cartaz sobre "a mulher portuguesa que apoia a mulher angolana", comprei outros nas minhas viagens a Londres, USA, França, Holanda e Bélgica e, quando observei. já tinha uma colecção de cartazes.

Como surgiu esta exposição?

J.J | Conheci o Jeredh entre 2016 e 2017, seis anos depois, teve a ideia de fazermos uma exposição, com o tema os 50 anos de independência, pois já tinha as suas colecções e eu também as minhas colecção. Aceitei e decidimos fazer a apresentação dos itens. Olhe que nem são a metade do que vamos apresentar na exposição "Angola 75".

Logo Jornal EXPANSÃO Newsletter gratuita
Edição da Semana

Receba diariamente por email as principais notícias de Angola e do Mundo