Rigor, credibilidade e um jornalismo independente nestes 17 anos de história
Num País onde a estabilidade macroeconómica ainda é um objectivo em construção e onde a diversificação exige políticas consistentes e escrutínio permanente, o papel de um jornal económico independente torna-se ainda mais relevante. A credibilidade gera confiança.
O jornal Expansão nasceu no início de 2009, num momento de aparente paradoxo económico. O choque petrolífero de 2008 tinha feito o preço do barril cair de 140 para 40 dólares, abalando as receitas do Estado e expondo a vulnerabilidade estrutural de uma economia fortemente dependente do crude. Ainda assim, em Angola persistia um ambiente de euforia.
O dólar negociava- -se a 90 kwanzas, as importações atingiam 22.600 milhões de dólares por ano, o PIB per capita rondava os 3.147 dólares e a dívida pública representava apenas 56,3% do PIB. Havia empresas a surgir em vários sectores, investidores estrangeiros a chegar em busca de oportunidades e um discurso dominante de crescimento quase ilimitado.
Foi nesse contexto que, a partir da experiência da revista Estratégia, nasceu um projecto mais ambicioso: um jornal económico semanal, dedicado exclusivamente à informação de negócios. A ambição era clara, criar um espaço de análise económica pura, independente, tecnicamente sólido e focado na vida empresarial. A inspiração técnica e editorial teve ligação ao Diário Económico de Portugal, de onde veio parte do know-how necessário para estruturar a redacção e o modelo de cobertura. O nome, influenciado pelo espanhol "Expansion", traduzia o espírito da época: crescimento, evolução, um mercado e um País em expansão.
O empresário Victor Fernandes foi o primeiro director da publicação, cerca de um ano, sendo depois substituído por Evaristo Mulaza, que esteve no cargo até ao final de 2011. Os primeiros anos foram marcados por uma cobertura centrada na actividade empresarial, na banca, nos investimentos e nas grandes obras públicas.
Era um jornal ainda pouco interventivo na esfera política, adaptado à realidade de um tempo em que o optimismo económico dominava a narrativa pública. Mas a própria dinâmica da economia angolana impôs uma evolução editorial. À medida que a crise cambial se aprofundava, que as reservas internacionais eram pressionadas e que o kwanza iniciava um ciclo de desvalorização estrutural, tornou-se impossível falar de empresas e finanças sem entrar no debate das políticas públicas.
A entrada de Carlos Rosado de Carvalho, em 2013, primeiro como consultor editorial e depois como director, marcou um ponto de viragem. O jornal ganhou densidade analítica, aprofundou a vertente crítica e passou a assumir um papel mais interventivo no escrutínio das decisões económicas. A macroeconomia deixou de ser pano de fundo e passou a ocupar o centro do debate. A dívida pública, o défice orçamental, a dependência petrolífera, a política cambial e o sistema financeiro tornaram-se temas recorrentes.
Em 2019, com a transição na direcção e a entrada de João Armando, consolidou-se uma linha editorial que reforçou simultaneamente duas dimensões: maior proximidade aos temas microeconómicos e sociais e uma linguagem mais acessível. O objectivo passou a ser claro, traduzir o "economês" para que gestores, quadros médios, estudantes universitários e cidadãos interessados pudessem compreender o impacto real das decisões macroeconómicas nas suas vidas. A literacia económica assumiu-se como uma das principais vocações do projecto e aproximou os leitores do jornal.
Acompanhar as mudanças
Ao longo destes 17 anos, o País mudou profundamente. O kwanza deixou de valer 90 por dólar para negociar a 912, a dívida pública ultrapassou níveis historicamente elevados, a economia enfrentou a recessão, recorreu ao Fundo Monetário Internacional, iniciou reformas estruturais e voltou a crescer em ciclos irregulares. O mercado de capitais nasceu, consolidou-se e ganhou novos instrumentos. O sector segurador foi reestruturado, a supervisão bancária reforçada, a agenda da diversificação económica ganhou centralidade com a indústria, a agricultura, a energia e, mais recentemente, a logística e os transportes. A diversificação económica passou a ser o grande objectivo estratégico.
O Expansão acompanhou cada um destes ciclos. Relatou o boom petrolífero e a sua reversão, analisou o ajustamento macroeconómico, escrutinou pri vatizações, acompanhou a consolidação bancária, avaliou o impacto das reformas cambiais, investigou atrasos em grandes projectos industriais, analisou a execução orçamental e deu palco a especialistas de diferentes correntes de pensamento. Fê-lo com um método consistente: ouvir todas as partes, confirmar informação em múltiplas fontes, publicar gráficos e tabelas que permitam ao leitor tirar as suas próprias conclusões, garantir o contraditório e preservar a independência editorial. Num ambiente em que algumas instituições ainda resistem a prestar esclarecimentos ou pretendem condicionar a narrativa pública, a credibilidade tornou-se o principal activo do jornal.
A influência crescente junto de decisores públicos, empresários e administradores das principais empresas não resulta de proximidade acrítica, mas da capacidade de produzir informação rigorosa e análise fundamentada. O Expansão passou a ser lido não apenas como fonte de notícia, mas como instrumento de trabalho e referência estratégica.
Diversificação do projecto
O projecto editorial expandiu-se para além da edição impressa. O site conheceu um desenvolvimento significativo, com maior actualização diária, conteúdos multimédia, infografias interactivas e aprofundamento temático. A presença digital deixou de ser complementar e passou a estrutural. A criação de uma nova app facilitou o acesso aos conteúdos através de dispositivos móveis, acompanhando a mudança de hábitos de consumo de informação e permitindo uma leitura mais ágil e personalizada.
Mais recentemente, o lançamento do programa de rádio "Expansão em Directo" na Rádio Marginal, emitido às segundas-feiras de manhã, abriu uma nova frente de intervenção pública. O formato permite análise em tempo real, entrevistas com protagonistas da vida económica e debate sobre os principais temas da semana. Esta presença regular na rádio reforçou a notoriedade da marca e ampliou a sua influência na definição da agenda económica.
Seis Fóruns por ano
Paralelamente, os Fóruns Expansão consolidaram-se como uma das marcas mais distintivas do projecto. O Fórum Banca, com 13 edições realizadas, tornou-se o principal encontro anual do sector financeiro, coincidindo com a divulgação dos resultados do exercício anterior. O Fórum Seguros acompanhou a profunda transformação regulatória liderada pela ARSEG e a consolidação do mercado.
O Fórum Telecom debateu os desafios da concorrência, da regulação e da inovação tecnológica. O Fórum Indústria trouxe para o centro da agenda a necessidade de competitividade, produtividade e substituição de importações. O Fórum Energia e Ambiente colocou a transição energética, a matriz futura e a necessidade de expansão da rede eléctrica no centro do debate.
Em 2025 nasceu o Fórum Transportes e Logística, reconhecendo que a competitividade de Angola depende cada vez mais da eficiência dos seus corredores ferroviários, portos, aeroportos e cadeias de abastecimento. Num contexto de aposta no Corredor do Lobito, na expansão portuária e na modernização aeroportuária, este novo fórum veio preencher uma lacuna estratégica, reforçando o posicionamento do Expansão como plataforma de discussão das grandes infra-estruturas nacionais.
O período da pandemia representou um desafio sem precedentes. Com restrições a eventos presenciais, o jornal desenvolveu uma plataforma própria de transmissão digital, permitindo manter os fóruns activos em formato híbrido. Essa inovação não foi abandonada com o regresso à normalidade; pelo contrário, consolidou-se como componente permanente, ampliando o alcance nacional e internacional dos debates.
Ao celebrar 17 anos, o Expansão não é apenas um jornal que acompanhou a economia angolana - é um actor do seu ecossistema informativo. Contribuiu para elevar o nível do debate público, para promover maior transparência e para reforçar a cultura de prestação de contas.
Num País onde a estabilidade macroeconómica ainda é um objectivo em construção e onde a diversificação exige políticas consistentes e escrutínio permanente, o papel de um jornal económico independente torna-se ainda mais relevante. Se, em 2009, "Expansão" simbolizava crescimento acelerado e optimismo, em 2026 simboliza maturidade, análise crítica e responsabilidade pública.
Continua a evoluir, adaptando-se às novas plataformas, às novas exigências tecnológicas e a um público cada vez mais exigente. Mais do que relatar a economia, o Expansão ajuda a estruturá-la enquanto espaço de debate, reflexão e decisão. É essa a sua principal marca ao fim de 17 anos: acompanhar o País, mas também desafiar o País a fazer melhor. A sua missão é contribuir para o desenvolvimento social, económico e político de Angola.











