Incumprimento no Propriv dispara 53% para 110,5 mil milhões Kz
Se os contratos fossem seguidos ao pé da letra, o Estado já teria recebido 472 mil milhões Kz pelas 120 empresas e participações já privatizadas até à data, ao longo dos sete anos. O consórcio dono da fábrica de Cimento têm 82% do global de incumprimento do Propriv e a nova gestão da Textang II deve 8 mil milhões Kz.
À medida que o Programa de Privatizações (ProPriv) entra na fase final, o incumprimento das empresas que adquiriram activos do Estado continua a aumentar. Entre Dezembro de 2025 e Fevereiro deste ano, a dívida destes operadores cresceu 53%, para 110,5 mil milhões Kz. Só o consórcio formado pela Griner, Cimenfort e Mercons, que assumiu a Fábrica de Cimento (CIF Cement) centro logístico (CIF Logística), concentra 90 mil milhões Kz em incumprimento, cerca de 82% do total, segundo cálculos do Expansão com base na actualização da base de dados do Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE) desta semana.
A fábrica de cimento foi leiloada por 158,9 mil milhões Kz, sendo, até à data, o activo mais valioso do ProPriv. Além da unidade industrial, o consórcio ficou também com o centro logístico, activo complementar à cimenteira, licitado por 21,1 mil milhões Kz, totalizando 180 mil milhões Kz.
Ambos os activos integravam o universo China International Fund (CIF), holding que esteve ligada à elite política do País, cujos activos foram revertidos para a esfera pública no âmbito do processo de recuperação de activos conduzido pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e, posteriormente, integrados no ProPriv.
Ao que o Expansão apurou em Julho de 2025, o impasse no pagamento por parte do consórcio foi justificado pelo atraso na criação de uma entidade que representasse as três empresas junto ao IGAPE, embora o contracto exija que a primeira tranche (15% do valor da licitação) fosse paga 45 dias após a assinatura do acordo, que, segundo comunicado do instituto já teria ocorrido no dia 30 de Junho do ano passado.
No entanto, fonte do consórcio afirmou que não tinha assinado qualquer documento por não existir uma sociedade legalmente constituída.
Em termos práticos, no início de Agosto o grupo que venceu a licitação dos dois activos deveria ter pago 27 mil milhões Kz. Três meses depois, isto é, em Novembro, estaria obrigado a pagar mais 10% dos 180 mil milhões Kz. Após seis meses, mais 25%.
Nove meses depois, outros 25% e, ao fim de 12 meses, concluir o pagamento da última parcela (25%), conforme a cláusula n.º 10 do caderno de encargos a que o Expansão teve acesso. Com este atraso, o contrato deixou de ser cumprido à risca, já que só agora foi criada a entidade que representará legalmente a Griner, Cimenfort e Mercons junto do IGAPE. "A sociedade chama-se Zentu e já está a tratar da regularização da dívida", disse fonte do Expansão no consórcio.
Estado já rcebeu 361,4 mil milhões Kz
Além do consórcio, há outras empresas que têm dívidas relativas aos activos do ProPriv. Na lista destaca-se a IEP - Investimentos e Participações, que ficou com a têxtil Textang II e a Fazenda de Quizenga, privatizadas em 2020. A IEP regista um incumprimento superior a 8 mil milhões Kz nestes activos (ver tabela).










