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Gestão

Porque as empresas do futuro não sobreviverão sem confiança

CAPITAL HUMANO

Nenhuma organização consegue sustentar crescimento duradouro quando as pessoas trabalham apenas por obrigação ou sobrevivência. Sistemas humanos só prosperam quando existe confiança suficiente para permitir cooperação, criatividade e alinhamento. E talvez seja precisamente essa a grande liderança do futuro.

Vivemos uma época marcada por instabilidade económica, polarização política, excesso de informação e rápidas transformações tecnológicas. Em diferentes partes do mundo, cresce a sensação de incerteza. Os mercados oscilam, alianças internacionais mudam, modelos económicos são questionados e a confiança nas instituições diminui. Mas existe uma crise ainda mais silenciosa - e talvez mais perigosa - a instalar-se dentro das empresas e organizações: a crise da confiança. Hoje, muitas organizações aparentam funcionar normalmente. Mantêm estruturas, reuniões, relatórios e metas.

No entanto, por detrás dessa aparente estabilidade, cresce um fenómeno invisível: equipas emocionalmente desligadas, colaboradores em modo de sobrevivência, líderes isolados e culturas organizacionais onde o medo começa lentamente a substituir a confiança. A confiança como capital invisível O economista e cientista político Francis Fukuyama defendia que a confiança é uma das bases fundamentais do desenvolvimento económico e social. Sociedades e organizações onde existe confiança tendem a cooperar melhor, inovar mais rapidamente e reduzir custos invisíveis associados ao controlo excessivo, burocracia e conflitos internos. No mundo empresarial, a confiança funciona como um capital invisível. Quando ela existe:

as equipas colaboram com mais facilidade; l a comunicação flui; as pessoas sentem-se seguras para propor ideias; os líderes conseguem mobilizar energia colectiva; e os conflitos são resolvidos com maior maturidade.

Quando desaparece, o sistema começa lentamente a fragmentar-se. Stephen Covey, autor de The Speed of Trust, afirmava que a confiança acelera processos e reduz custos. A desconfiança, pelo contrário, torna tudo mais lento, pesado e caro. Empresas onde ninguém confia verdadeiramente em ninguém gastam energia excessiva em controlo, validação, protecção de território e jogos políticos internos. Num contexto económico global cada vez mais competitivo, este desgaste invisível tem consequências profundas. Empresas com culturas frágeis tornam-se menos adaptáveis, mais burocráticas e emocionalmente exaustas. O problema é que, muitas vezes, os indicadores financeiros demoram a revelar aquilo que o sistema humano já sente há muito tempo.

O mundo mudou | E as pessoas também

As novas gerações que entram no mercado de trabalho já não procuram apenas salário. Procuram sentido, coerência, respeito, desenvolvimento humano e segurança psicológica. Amy Edmondson, investigadora de Harvard, introduziu o conceito de psychological safety (segurança psicológica): a capacidade de uma pessoa expressar ideias, dúvidas ou preocupações sem medo de humilhação ou punição.

Organizações sem segurança psicológica tendem a produzir silêncio organizacional. As pessoas deixam de falar. Evitam expor problemas. Escondem erros. Fingem concordar. E o mais perigoso é que, muitas vezes, os líderes nem sequer percebem que isso está a acontecer. A empresa continua aparentemente funcional - mas o sistema começa a perder vitalidade.

Quando a desconfiança entra no sistema

Na perspectiva sistémica e das constelações organizacionais, a confiança não é apenas uma emoção individual; é um indicador do estado do sistema. Quando uma organização entra em modo de desconfiança, surgem sintomas previsíveis:

competição interna excessiva; silos entre departamentos; retenção de informação; medo de errar; l sabotagem subtil; elevada rotatividade; desgaste emocional; e perda de sentido de pertença.

O mais interessante é que estes fenómenos raramente aparecem isolados. Eles tendem a surgir em cadeia, como resposta do sistema a desequilíbrios invisíveis.

Nas constelações organizacionais, compreendemos que sistemas humanos precisam de três elementos fundamentais para permanecer saudáveis:

pertencimento; ordem; equilíbrio.

Quando colaboradores deixam de sentir pertença, quando hierarquias se tornam abusivas ou quando há trocas injustas dentro da organização, a confiança começa a deteriorar-se. E quando a confiança desaparece, o sistema entra em sobrevivência...

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