Excesso de oferta limita preço do crude
Petróleo manteve a tendência de valorização, mas aumento da oferta limita ganhos. Resultados empresariais positivos e dinâmica do sector tecnológicos valorizam as bolsas.
As tensões geopolíticas tiveram um certo alívio nos últimos dias, após o anúncio de avanços nas negociações entre os Estados Unidos e o Irão, o que reduziu o risco de uma eventual acção militar. Paralelamente, os investidores estiveram também atentos aos potenciais impactos do acordo entre os EUA e a Índia relativos ao processo de paz na Ucrânia. O Governo indiano terá concordado em suspender as compras de petróleo russo, o que vem reforçar a pressão norte-americana à Rússia.
Na sequência, os preços do barril de petróleo subiram de forma relevante, embora tenham sido atenuadas posteriormente. No mercado de Londres, até quarta-feira, o Brent acumulava um ganho semanal de 1,34% para 66,47 dólares por barril, enquanto o WTI, em Nova York, valorizava 2,94% para 62,51 dólares por barril. A limitar os ganhos, continuaram a estar as expectativas de que, nos primeiros seis meses do ano, o mercado deverá registar um excesso de oferta de crude, um cenário agravado pelo aumento da produção venezuelana, que subiu de 498 mil barris para 800 mil barris por dia em Janeiro, segundo dados recentes comunicados ao mercado.
Nos mercados accionistas, o Euro Stoxx 600, principal referência europeia, acumulava uma subida semanal de 1,11%, para 617,77 pontos. Nos Estados Unidos, o S&P 500 avançava 0,54%, para 6.976,44 pontos, impulsionado por resultados empresariais positivos, pela valorização dos metais preciosos e pela dinâmica do sector tecnológico, reforçada por notícias relativas a uma potencial fusão empresarial entre empresas dos segmentos aeroespacial e inteligência artificial.
No mercado monetário, a Reserva Federal decidiu, na primeira reunião de 2026, manter as taxas directoras inalteradas no intervalo de 3,50% a 3,75%, interrompendo o ciclo de três cortes consecutivos registado no final de 2025. Esta decisão contribuiu para a valorização do dólar em 0,70% face ao euro, com o par a negociar em 1,18 USD/EUR. Em paralelo, o índice Bloomberg Dollar Spot registou uma subida de 0,48%, para 97,51 pontos.
O preço do ouro recuou 1,50%, para 4.933,57 dólares por onça, enquanto a prata registou uma correcção mais acentuada, caindo 14,59%, reflectindo a diminuição do risco geopolítico e a realização de mais valias por parte dos investidores. A apreciação do dólar acrescentou pressão adicional sobre estes metais preciosos.
Por fim, os juros da dívida alemã subiram para máximos de mais de uma década devido ao forte aumento das emissões de obrigações (512 mil milhões de euros) para financiar infraestrutura e defesa, elevando as yields das Bunds a 30 anos em 3,56%, o valor mais elevado desde 2011, pressionando os custos da dívida em toda a Zona Euro.











