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Universidade

Universidades estão divididas nos mecanismos de detecção de plágio

DEPENDE DAS POLÍTICAS INSTITUCIONAIS ACADÉMICAS

A escolha dos mecanismos e sua eficácia depende em grande parte das políticas institucionais de prevenção do plágio adoptadas por cada universidade. Os estudantes envolvidos em fraude devem realizar novos trabalhos com originalidade.

As universidades encontram-se divididas quanto aos mecanismos de detecção de plágio nos trabalhos científicos, entre o uso de ferramentas tecnológicas e o julgamento académico humano. No geral, a escolha dos mecanismos e a sua eficácia depende, em grande parte, das políticas institucionais de prevenção do plágio adoptadas por cada universidade.

A Universidade Lusíada de Angola (ULA), por exemplo, não obriga os estudantes a defender o Trabalho de Fim de Curso (TFC) e, por isso, não faz o uso de mecanismos de detecção de plágio, como revelou uma fonte da instituição ao Expansão.

Já a Universidade Agostinho Neto (UAN), para averiguar a originalidade faz o acompanhamento dos trabalhos e, em caso de ser detectado plágio, confronta o autor para obter uma confissão, como aconteceu com os três licenciados do curso de farmácia do Instituto de Ciências da Saúde (ICISA), que viram os seus diplomas e certificados anulados até elaborarem novos trabalhos de fim de curso com originalidade, como se pode ler em nota pública divulgada no 29 de Dezembro.

Apesar desta metodologia de acompanhamento, o Expansão procurou saber se a UAN utiliza algum tipo de ferramenta tecnológica para detectar plágio, mas até ao fecho da edição não obteve resposta. A Universidade Metodista de Angola (UMA adoptou, em 2023, o programa Plagious, que permite o processo de análise através de uma comissão de avaliação, coordenada pelo reitor da universidade, e só depois são submetidos ao corpo de júris. Quando detectado fraude, a comissão anula o trabalho e recomenda que o estudante o refaça. Situações de plágio ocorrem com alguma frequência. Recorde-se que em Dezembro de 2023, a Universidade Metodista de Angola (UMA) impediu 80 estudantes de participar na cerimónia de outorga por alegações de plágio nos seus trabalhos de fim de curso, o que levou, na altura, ao adiamento do evento e à abertura de um processo disciplinar para investigar a autenticidade dos trabalhos, que foram todos orientados pelo mesmo professor.

Arlindo Isabel, académico e editor da Editora Mayamba, apresenta-se céptico e acredita não existir, em nenhuma instituição de ensino, o uso de mecanismos de detecção de plágio nas universidades, por isso, como refere, até académicos consagrados são apanhados em casos de fraude.

"Os plágios acontecem também nos consagrados. Já tive casos com pessoas que estão nas academias e, pior, com responsabilidades administrativas ou científicas dentro das universidades. Haverá um dia que vai "rebentar uma bomba" de muitas monografias e teses plagiadas no País", terminou Arlindo Isabel.

Prevenção é um mecanismo para evitar plágio Pedro Magalhães, reitor da UAN, encara o plágio como um fenómeno que acontece em praticamente todas as universidades do mundo, mas que pode ser evitado por via do reforço dos mecanismos de prevenção, formação em ética académica, responsabilidade dos orientadores e a aplicação dos regulamentos disciplinares quando necessário.

"As instituições de ensino superior devem definir as respectivas políticas institucionais de prevenção de plágio como base de actuação, de maneira a evitar medidas arbitrárias sazonais. Em muitos casos, o plágio resulta mais de fragilidades formativas do que de má-fé deliberada, por isso, a resposta das universidades deve combinar prevenção, formação e responsabilização", esclarece o magnífico Reitor.

Para Tommaso De Pipo, professor dos cursos de engenharia de Ambiente e Tecnologias da Universidade Católica de Angola (UCAN), para se resolver o problema de plágio no País, os tutores devem assumir controle, acompanhar e orientar cada etapa da elaboração do trabalho de fim de curso. "Enquanto coordenador dos cursos de ambiente e tecnologia, recomendo aos tutores que acompanhem cada passo o trabalho do estudante até ser submetido à minha supervisão, enquanto coordenador. Quando avaliados, não identifico plágios nos trabalhos", explica o académico, que recomenda o uso desta metodologia como "ideal" para se ultrapassar o problema.

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