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Angola

Medicamentos para a hipertensão e diabetes custam entre 2 a 4 salários mínimos por mês

TRATAMENTO EXIGE COMBINAÇÃO DE FÁRMACOS QUE PODE CHEGAR A 390 MIL KZ

A maioria da população não ganha o suficiente para custear os medicamentos necessários para controlar e tratar a hipertensão e a diabetes, duas doenças crónicas com alta prevalência em Angola. A subvenção dos fármacos "é um aspecto fundamental", defende especialista, sobretudo no caso de doenças crónicas.

A medicação para tratar doenças crónicas, como a hipertensão e a diabetes, custa entre 213 mil Kz e 390 mil Kz por mês, segundo cálculos do Expansão com base nos preços dos medicamentos vendidos nas farmácias e em depósitos de medicamentos, o que equivale a quatro salários mínimos da função pública (100 mil Kz) ou oito salários mínimos em vigor para as startups e microempresas (50 mil Kz), no caso da medicação para a diabetes.

Se for um doente hipertenso terá de desembolsar mais de dois salários mínimos ou quatro das startups, o que atesta o esforço financeiro que representa no orçamento das famílias.

Os preços da medicação completa para a hipertensão podem chegar até aos 213 mil Kz, custos que têm de ser suportados para o resto da vida. No total, o doente hipertenso com o nível mais grave da doença tem de tomar 17 medicamentos diferentes. Há caixas de remédios que ultrapassam os 18 mil Kz enquanto os mais baratos rondam os 6 mil Kz (ver infografia).

O tratamento da hipertensão obedece a uma combinação de fármacos que permitem reduzir a frequência cardíaca, diminuir a força das batidas do coração, baixar a pressão arterial e reduzir o consumo de oxigénio no coração, designados como betabloqueadores, e os medicamentos que permitem relaxar e dilatar os vasos sanguíneos, baixar a pressão arterial e proteger o coração e os rins, pertencentes ao grupo dos Antagonistas dos Receptores da Angiotensina II (ARA II).

Isto não significa que todos os doentes hipertensos tenham de tomar a medicação completa. Só nos casos mais graves é que isso se verifica. Mas a medicação obrigatória também exige gastos elevados. São ao todo oito fármacos que, no total, custam 93.450 Kz, o que equivale a dizer que um salário mínimo da função pública vai quase na totalidade para o controlo da doença.

Descuidos pesam no bolso

Como estamos numa sociedade onde nem todos os pacientes controlam a tensão arterial (que deve ser medida diariamente), no caso de descuido, a esta combinação de fármacos acrescenta-se medicamentos que ajudam a eliminar o sódio e a água pela urina, designados como poupadores de potássio e os Inibidores da Enzima de Conversão da Angiostesina (IECA).

Uma boa alimentação e comportamentos saudáveis tornam- -se exigências que, na prática, podem fazer duplicar ou até triplicar os custos para tratar o inimigo silencioso que ameaça muitos angolanos, tendo em conta o preço dos alimentos. Este tipo de exigência aplica- -se aos doentes da classe 2, um nível mais grave que exige mudanças no estilo de vida, nomeadamente reduzir o consumo de sal, controlar o peso, actividade física regular, evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e parar de fumar.

"Falar deste assunto não é fácil para mim, eu sou dependente de medicamentos para controlar a minha tensão arterial. Para o bem da minha própria saúde, prefiro não falar dos custos. Fico por aqui", desabafou um cidadão numa farmácia, visivelmente agastado, tanto que a conversa com o Expansão acabou por ser interrompida devido ao estado emocional do paciente.

Quando não é tratada como deve ser, a hipertensão pode levar a complicações sérias, como Acidente Vascular Cerebral (AVC), enfarte do miocárdio, insuficiência cardíaca, doença renal e problemas de visão, salienta um especialista.

Só para se ter uma ideia da incidência da doença no país, os dados do Inquérito de Indicadores Múltiplos e de Saúde de Angola (IIMS 2023-2024), divulgados no ano passado, indicam que 12% das mulheres e 11% dos homens entre 15-49 anos sofrem de hipertensão arterial...

Leia o artigo integral na edição 865 do Expansão, sexta-feira, dia 27 de Fevereiro de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)

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