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"O artista é um espelho, ele deve cantar músicas construtivas para educar a sociedade"

PEDRO CABENHA | MÚSICO

Com uma história marcada entre o período de luta pela Independência, paz e reconciliação nacional, o intérprete de "Michel" e "Adiakimi", Pedro Cabenha, considera que as músicas do seu primeiro álbum, com o título "Ndaie Ué", lançado em 2011 são a sua fonte de sobrevivência num mercado cada mais competitivo.

É convidado a participar do concerto "Bebop and Jazz" a realizar-se já no dia 4 de Setembro. Nos últimos anos tem recebido convites para fazer apresentações com frequência?

Não! Tenho feito poucas apresentações. Tive a felicidade de ser convidado pelo Dimbo Makiesse para participar neste concerto que vai realizar-se hoje, sexta-feira, no Hotel Epic Sana e partilhar o palco com os músicos Carlos Praia, Denalta Praia, Jorge Mulumba e Miqueias Ramiro.

Por que razão tem feito poucas apresentações?

Acredito que existe a necessidade de eu aparecer mais, trabalhar mais, porque um músico com poucos trabalhos de sucesso no mercado não ganha notoriedade.

É necessário apresentar novos trabalhos ou os que possuí são pouco divulgados?

Sou um músico de longa data, comecei a compor e a cantar em 1973. Entre 1984 e 1993 integrei o agrupo "Os Proletários da EDAL", a convite do Domingos Franco Vieira (Nini Franco) e tornei-me uma das vozes principais do grupo. Na época, fazíamos várias apresentações em espaços culturais e casas de música de referência. Depois dei uma pausa na música, porque regressei à minha terra natal, no Ícolo e Bengo, para trabalhar no campo por motivos socio-económicos. Em 2008 comecei a carreira a solo e tenho quatro obras discográficas no mercado, nomeadamente, "Ndaie Ué", lançado em 2011, em homenagem ao músico Adriano Diogo da Silva (Ndaie Ué), "Nzoji Yami", lançado no mesmo ano, "Mamã Sessá", lançado em 2013, e o último, com o título de "Mgambi", lançado em 2021. No entanto, tenho ainda músicas por explorar que se tocarem hoje vão dizer que são inéditas. Mas não, são antigas.

Quando é que pretende lançar esses novos projectos?

Estou a trabalhar para que no próximo ano tenha novas músicas no mercado. Poderei lançar quatro músicas que escrevi no ano passado, pois me aconselharam a fazer entre duas ou três gravações novas. E já estou a gravar, mas a minha prioridade é explorar as músicas que tenho.

É músico e compositor. Quais são os principais estilos musicais que faz?

As músicas que canto na sua maioria são semba, mas também rumba, kizomba e algumas músicas folclóricas.

Como nascem as suas músicas: de uma imagem, experiências ou sentimentos?

As minhas letras e músicas são baseadas nas histórias do quotidiano. Aquilo que vejo eu canto para sensibilizar as pessoas, e principalmente educá-las. O artista é um espelho, ele deve cantar músicas construtivas para educar a sociedade, porque se eu cantar músicas obscenas não estarei a contribuir para educar e moldar a sociedade.

Existe a necessidade de ter maior responsabilidade nas letras?

O músico deve cantar de modo a tocar a alma das pessoas, porque, se assim não for, então não estará verdadeiramente a fazer música. É importante que as pessoas...

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