Unitel, Endiama e Standard Bank são o último fôlego do PROPRIV
Se, por um lado, há empresas que fazem esfregar as mãos dos investidores, naquela que será a fase final do ProPriv, por outro, há aquelas que são consideradas problemáticas e exigem maior cautela e uma preparação mais robusta para atrair o interesse. 2026 já está a contar.
Com as exclusões da TAAG e da petrolífera Sonangol do Programa de Privatizações (PROPRIV), no ano derradeiro do programa que arrancou em 2019 e que termina este ano, caso não haja prorrogações, a expectativa dos potenciais investidores recai sobre as participações da Unitel, Endiama e Standard Bank Angola, bem como sobre activos como a TV Zimbo e a Angola Telecom, que engrossam a lista das empresas ainda por privatizar.
No caso da maior empresa de telefonia do País, a Unitel, o início do processo de privatização estava previsto para 2023, um ano após o Estado ter assumido o controlo total da operadora, através da nacionalização das participações de 25% que pertenciam à Vidatel (de Isabel dos Santos) e à Geni (do general "Dino"). O restante capital era e é detido pela Sonangol. No lançamento da segunda vaga de privatizações (2023-2026), o Estado pretendia alienar 100% das acções, por via de concurso público, daquela que é uma das empresas mais lucrativas do País.
Contudo, o Governo recuou e optou por dispersar em bolsa apenas 15% do capital da operadora, por via de uma IPO (Oferta Pública Inicial), num processo que deverá ser concluído até ao final do primeiro trimestre, segundo avançou Ottoniel dos Santos, secretário de Estado para as Finanças e Tesouro, à margem das Reuniões Anuais do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington no final de 2025. "Teremos no primeiro trimestre de 2026, na sequência da operação que foi feita agora com o Banco de Fomento Angola, a entrar também a Unitel. O processo para podermos ter a Unitel na bolsa já está em curso e teremos certamente no primeiro trimestre de 2026 esta operação fechada, bem como todas as outras operações que estão previstas no programa", disse.
Ainda assim, a privatização em bolsa da telefonia é vista como um marco importante, tendo em conta o histórico e a reputação da empresa, bem como o sector em que opera, as telecomunicações, que está na vanguarda do desenvolvimento económico e de transformações sociais. Outro activo que também se destaca na "fila" do PROPRIV são os 49% da participação do Estado no Standard Bank Angola. No entanto, apenas 34% serão colocados em bolsa, uma vez que 15% foram transferidos para o Fundo Soberano de Angola, permitindo ao Estado conservar uma posição na instituição financeira bancária.
O IGAPE ainda não avançou uma data para a IPO, mas refere, em comunicado, que o Governo "mantém inalterado o seu compromisso com a privatização desta significativa participação no sector financeiro". Se, por um lado, há empresas que fazem os investidores esfregarem as mãos, por outro existem activos como a TV Zimbo, que apresentou contas no vermelho em 2024 e depende de subsídios operacionais do Estado (recebeu 10,3 mil milhões de kwanzas desde que passou para a esfera estatal), necessitando de um processo de reestruturação para se tornar atractiva aos investidores.
A empresa passou para o domínio do Estado em 2020, no âmbito do processo de recuperação de activos constituídos com dinheiros públicos. À semelhança da TV Zimbo, há outros activos, como a Angola Telecom e a Aldeia Nova. Esta última, frequentemente em situação de falência técnica, representa também um dos laços do "casamento" entre o Grupo Mitrelli e o Governo. Na primeira tentativa de venda, não houve interessados.
PROPRIV só rendeu 348 mil milhões Kz
Desde o arranque do programa, o processo do IGAPE contabiliza uma carteira de contratos de cerca de 1,2 biliões Kz, resultante de 119 privatizações. Entretanto, o Expansão não contabiliza a troca de activos (swap) em que o Estado entregou uma participação de 31,78% na Puma Energy aos suíços da Trafigura, recebendo em troca a Pumangol, uma vez que não houve um encaixe financeiro efectivo e a empresa não constava no programa de privatizações.
E, ao não considerar esta operação, avaliada em 396,4 mil milhões Kz, significa que o PROPRIV apenas rendeu, até ao momento, cerca de 348 mil milhões Kz efectivamente recebidos.
Nos recebimentos, mais de 65% do valor está concentrado nas vendas de participações no Banco de Fomento Angola (BFA), no Banco Angolano de Investimentos (BAI), bem como na alienação de dois activos da Sonangol (um edifício em Lisboa e uma empresa de shipping) e na venda de acções do Caixa Angola e do Banco de Comércio e Indústria (BCI).











