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Opinião

Comunicação errada

EDITORIAL

De forma errada promete-se tudo, soluções milagrosas, projectos maravilhosos, riqueza e bem estar para todos, o que na prática não acontece. E depois vem a conversa de que foi um sucesso, mesmo que os objectivos não tenham sido cumpridos, porque agora há um novo projecto que vai mesmo resolver.

O momento de olhar para o início de um novo ano é sempre temperado com muita esperança, espírito positivo, promessas de acção e cumprimento de objectivos, um misto da beleza do desconhecido que aí vem e o medo que o passado se repita mais uma vez, que fique tudo igual. É um pouco assim que o painel de especialistas convidado pelo Expansão, na sua generalidade, olha para o que será o desenvolvimento da economia angolana neste 2026.

Muitos fazem questão de escrever, "tal como dissemos em anos passados", mas também "acredito que poderá ser agora", neste duplo sentimento dos primeiros dias de Janeiro. Todos temos a consciência que as condições e potencialidades que Angola tem mereciam um maior desenvolvimento económico, que alguma coisa tem sido feita para a melhoria das condições de vida da população, que isoladamente podemos encontrar inclusive casos de sucesso, mas, no global, tudo junto, parece que não resulta.

Muitas vezes as culpas não podem ser atribuídas a quem governa, como acontece na vandalização das infraestruturas eléctricas ou na postura da maioria dos responsáveis dos departamentos dos ministérios, forças de segurança e administração pública, que complicam a vida dos cidadãos para conseguir uma "gasosa". São os próprios cidadãos que criam problemas a outros cidadãos, numa roda em que se perde a solidariedade, a ideia de Nação, o espírito patriótico e o desígnio de "crescermos" todos juntos.

Cada um por si e fé em Deus, que os pecados lavam-se no fim de semana nas igrejas em que cada um acredita. Mas isto também acontece porque continuamos a fingir que apostamos na Educação, que na verdade é o único caminho para plantar valores e ética nas pessoas, dar-lhes conhecimentos e capacidades técnicas para que possam ser mais valorizadas no seu dia a dia e tenham uma vida melhor.

Este "faz de conta", de que temos milhões de licenciados, na sua grande maioria desempregados, emigrantes ou em trabalhos menores, cria ainda uma frustração maior a toda uma geração. Saem das universidades e, se não tiveram a bússola certa (leia-se o padrinho na cozinha), não conseguem emprego formal. Esta frustração crescente na nossa sociedade tem também a ver com o tipo de comunicação que é usado por quem nos governa.

De forma errada promete-se tudo, soluções milagrosas, projectos maravilhosos, riqueza e bem estar para todos, o que na prática não acontece. E depois vem a conversa de que foi um sucesso, mesmo que os objectivos não tenham sido cumpridos, porque agora há um novo projecto que vai mesmo resolver. E é assim, com a lógica da "cenoura à frente" para comandar as vontades legítimas de quem exige uma vida melhor, que a roda vai avançando.

No fim, quando cada um percebe que afinal foi enganado, a frustração e a raiva é muito maior. Por isso, o que espero mesmo para este ano é que este discurso se altere, apesar de estarmos em ano pré-eleitoral, que se explique aos cidadãos de forma séria o que cada um tem de fazer para ajudar o País, as pessoas querem participar mas muitas vezes são excluídas, que grande parte dos dirigentes saia da "cloud cor de rosa" onde vive e tente pelo menos resolver alguns dos nossos problemas.

Não todos de uma vez, claro, mas passo a passo e com estratégia. O povo pode ter pouca instrução, pode parecer que não está a perceber, é mesmo capaz de fingir para sobreviver, mas já não se deixa enganar. Por isso, uma comunicação realista e equilibrada é fundamental para quem quer chegar na frente à linha de meta em 2027.

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