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Opinião

Notícias do Reino (XII)

ED

As outras famílias que também ambicionam viver no castelo vão-se movimentando em redor do poder, capitalizando os disparates da governação, mas com pouca estratégia, também com as suas "guerras" internas, e com muito "pouco peito" para baterem à porta de cara destapada. Na verdade, as mordomias que já recebem do reino parecem suficientes para se irem mantendo mais calmas e tranquilas.

Hoje trago-vos notícias do reino, onde oito anos depois da sua coroação, o actual rei passa por momentos difíceis junto do seu povo. Se numa primeira fase havia a convicção, direi mesmo o entusiasmo de novos tempos que se aproximavam, hoje vive entre uma guerra que estalou no seio da sua corte, e que se vai espalhando pelo País com sinais preocupantes de intolerância, de discriminação, de segregação e, em alguns casos mesmo, de violência.

O direito à diferença desapareceu da agenda e, tal como em outros tempos do reino, o argumento volta a ser "se não és dos nossos és contra nós". Implacável na lógica do seguidismo e da bajulação, está a brotar uma nova geração de seres que não distinguem a ironia do insulto, a inteligência da esperteza, a realidade da fé. Uns porque as palas da sua construção intelectual não lhes permitem ter um ângulo de visão superior a 30 graus, outros, embora conscientes do que está a acontecer, acham convictamente que esta é a melhor estratégia para chegarem o mais rápido possível ao que sempre ambicionaram e que viram os pajens de outros tempos conseguir, o pote de ouro no início do arco-íris.

De um lado, a realeza que, depois de algum tempo fingidamente submissa, começa agora a levantar a cabeça e a lançar o seu veneno sobre o monarca, do outro uma geração que também quer ter favores reais, disposta a pisar tudo e todos para receber umas prendas. De vez em quando, juntam-se nas reuniões da sua corte, vestem-se de igual e até parecem que estão juntos. Mas as grandes famílias da corte estão, objectivamente, divididas Esta instabilidade, suportada por uma tensão que vai crescendo todos os dias, pega-se aos restantes cidadãos, aos que, por opção própria ou por discriminação selectiva, não circulam nos jardins do palácio. Para os primeiros as consequências são a desilusão, o descrédito e mesmo alguma desorientação. Muitos fizeram-se à estrada e foram viver para outras paragens. Para os segundos, apenas o acirrar das diferenças, dos ódios, dos caminhos sem retorno.

As outras famílias que também ambicionam viver no castelo vão-se movimentando em redor do poder, capitalizando os disparates da governação, mas com pouca estratégia, também com as suas "guerras" internas, e com muito "pouco peito" para baterem à porta de cara destapada. Na verdade, as mordomias que já recebem do reino parecem suficientes para se irem mantendo mais calmas e tranquilas. Pelo menos por agora. Fica a ideia que não são uma equipa alternativa, apenas suplentes à espera de entrar para a primeira equipa.

Isto num reino que está mais pobre, onde as dificuldades são cada vez maiores, camufladas por campanhas de comunicação em que nem os protagonistas acreditam, mas com a vantagem de criarem uma realidade virtual que leva alguns na corte a achar que é verdade. E, na verdade, quanto mais isolados estiverem no seu castelo, mais esta estratégia parece a correcta. Mas parece só, porque fora das portas do castelo isto está muito difícil.

As dívidas aumentam, a riqueza cresce muito pouco para o incremento da população e parece não haver engenho e arte para mudar o curso das águas. Vem aí um ano em que a corte parece estar muito mais preocupada com a sucessão do rei, empurrando as transformações inevitáveis para mais tarde, o que não são boas notícias para a plebe.

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